Heróis Nacionais

Almirante Álvaro Alberto: como as ideias libertadoras partem de mentes criativas e demandam grande habilidade administrativa para lidar com os contraditores e inimigos do progresso*

“Quando a pequenina grande nação portuguesa investiu no mar tenebroso para cumprir um glorioso destino histórico, seu principal cuidado foi fundar uma escola náutica e, o promontório de Sagres se fez um ninho de cultura especializada. A astronomia náutica, a geografia, cartografia marinha, a construção naval foram aperfeiçoadas e encenadas sob a égide do infante dom Henrique. O imortal infante atraiu para a sua escola os cientistas e técnicos mais indicados para a portentosa tarefa. […] Os portugueses iam avassalar o mar oceano ultrapassando o ciclo dos navegadores fenícios, gregos, escandinavos, catalães, genoveses e venezianos que haviam se ilustrado nas façanhas marítimas. Eles chegaram à civilização, ao Brasil e aos Lusíadas. As maiores criações do gênio da raça, como já foi proclamado”.

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Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva RJ 22 de Abril de 1889 – 31 de Janeiro de 1976

Panorama Histórico

A história da energia nuclear se confunde com a história da civilização. Álvaro Alberto, através de sua trajetória, muito contribuiu para colocar o Brasil entre os países que dominam o conhecimento do ciclo do átomo e da constituição da matéria, incluindo tecnologias sensíveis do enriquecimento de urânio, processamento e produção do plutônio.

A energia nuclear é um caso único na história da ciência brasileira. Pela primeira vez, o Brasil acompanhou uma revolução científica do nascedouro até a sua aplicação em laboratórios. Cientistas brasileiros acompanharam cada passo do desenvolvimento daquela que é considerada a mais importante descoberta científica desde o domínio do fogo pelo homem primitivo e com certeza, a mais importante do século XX, do ponto de vista energético, tecnológico, militar e estratégico. A energia nuclear, permite expandir as possibilidades e, continuidade da existência humana neste planeta. Essa inédita conquista científica brasileira deveu-se em grande parte, ao Almirante Álvaro Alberto.

Navio Otto Hahm no Rio de Janeiro
Navio Otto Hahn no Rio de Janeiro

Você sabia que o cargueiro atômico Otto Hahm só precisava de 55 kg de combustível nuclear para percorrer 600.000 milhas náuticas, portanto mais de 20 vezes a volta ao redor da Terra? Não é maravilhoso e singular que essa enorme força concentrada do urânio possa mover um navio a tamanha distância? O que faremos com esta possibilidade, está em nossas mãos.

Características do Cientista

Fazer uma descoberta científica é uma experiência extraordinária. Pesquisadore(a)s que no decorrer da História fizeram descobertas importantes, relatam unanimemente a alegria profunda e sublime que sentiram. Um pressentimento dessa alegria inspira o pesquisador(a) na caçada das verdades escondidas, impulsiona para assumir os mais pesados fardos e perigos. Sendo seus esforços coroados de sucesso, a alegria dessa descoberta torna-se coletiva.

É portanto fácil de compreender, porque o verdadeiro espírito da ciência deve naufragar num clima de ódio e destruição. Também em tempos de paz, uma pesquisa que se dirija estritamente para fins militares ou comerciais, está fadada do ponto de vista do progresso fundamental, a permanecer sempre estéril.

As descobertas científicas fundamentais nunca são o produto do pensamento puramente lógico. Elas representam muito mais “saltos mentais”; elas repousam sobre a capacidade do pesquisador de conceber hipóteses frutíferas, que vão bem além do âmbito do conhecimento lógico dedutivo e frequentemente, se lhe opõem. A capacidade criadora , possui um lado emocional essencial. É atravessada por uma alegria lúdica que, dissolve os temores e pode olhar para os próprios erros com autoironia complacente. Num outro nível, o pensamento criativo está intimamente ligado com a qualidade emocional chamada na tradição cristã de ágape ou “caritas” – um amor ativo e desinteressado, querendo o melhor para os outros, para toda a humanidade. Essa propriedade do desenvolvimento humano não encontra nenhuma contrapartida em outras formas de vida. A menor mosca é uma maravilha da natureza, mas como destino individual ela não tem peso algum.

Se Mendeleiév houvesse confiado cegamente em seus dados, o sistema periódico jamais ficaria em pé. Sua “genialidade” e também coragem excepcional, se mostraram quando ele utiliza suas hipóteses, para corrigir dados experimentais.

A vida de Marie Sklodovska-Curie, Álvaro Alberto, Santos Dumont e muitos outros, que aportaram importantes contribuições ao conhecimento, são exemplares.

Álvaro Alberto e Santos Dumont
Alberto Santo Dumont e Álvaro Alberto

Em junho de 1948 Irene, filha de Marie Curie abriu o Congresso da “União Feminina Francesa” com uma conferência sobre a “Radioatividade e Energia Atômica”. Ela resume a história da descoberta da energia nuclear, da qual participaram significativamente sua mãe e ela própria, olhando esperançosamente para o futuro:

Desde o começo do século somos testemunhas de um desenvolvimento veloz e inaudito no conhecimento do átomo. A detonação da primeira bomba em 1945 mostrou a mundo todo, que fora possível liberar energia do núcleo atômico […] A transformação completa de um quilo de urânio produz tanto calor quanto a queima de 3.000 toneladas de carvão […] Com isso, descortina uma nova era para a humanidade. Até hoje a população humana vivia sobre a Terra por meio da energia provinda mais ou menos diretamente da radiação solar […] Se utilizarmos a energia que a natureza concentrou na própria matéria, então nos ligamos a uma fonte energética de uma época há bilhões de anos, quando a matéria terrestre ainda se misturava com a matéria solar, encontrando-se num processo de transmutação permanente em temperaturas fantásticas.

Que usos pode ter essa nova e formidável energia? Se tivéssemos feito essa pergunta ao homem primitivo que acabara de ascender o primeiro fogo, o que ele poderia responder? Como nós hoje, ele precisava preparar a sua refeição; mas teria ele sonhado com locomotivas e altos fornos?

Estamos hoje novamente na posição de um homem primitivo. Sabemos que a energia nuclear no futuro será utilizada em usinas para produzir energia elétrica e que o uso dos elementos radioativos vão aumentar. Mas podemos ter certeza de que não conseguimos prever com base em nossos conhecimentos atuais, as aplicações mais importantes.”

Em outra ocasião Irene, comenta sobre o problema fundamental das formas energéticas “alternativas”: “reside exatamente no fato de serem milhares de vezes menos concentradas que os próprios combustíveis fósseis. A consequência obvia, é o aumento da despesa para aproveitar essas energias tão difusas”.

Irène Juliot Curie
Irène Joliot-Curie

O Grande Confronto

Ofereça um cavalo a quem disser a verdade, e dele necessitará para fugir e pôr-se a salvo.”

Proverbio Oriental

A energia nuclear está no foco de um conflito estratégico, que gira em torno das relações de poder neste planeta e do futuro desenvolvimento da humanidade.

Marie e Irene Curie, Lise Meitner, Ida Noddack, Ellen Gleditsch, Marguerite Perey, Elisabeth Rona, Marieta Blau, Berta Karlik e muitas outras mulheres, pioneiras nas descobertas das transformações da matéria e da radioatividade, viam na energia nuclear antes de tudo, um meio decisivo para acabar com a enorme miséria no mundo. Com certeza elas ficariam tristes ao ver como muitos “progressistas” de hoje, se deixam levar pela ideia romântica de ser possível uma vida mais humana, abandonando a sociedade industrial e, regredindo a um “equilíbrio natural” primitivo, como nas velhas tribos de índios ou culturas do passado.

No livro infantil americano de 1955 intitulado “Tudo sobre o Átomo”, lia-se: Imagine como será vantajoso implementar a energia nuclear nos países em desenvolvimento. A principal razão para o desenvolvimento vagaroso em muitos desses países, é a carência de energia. Neles as pessoas precisam realizar a maior parte de seu trabalho com a força muscular de animais ou de gente … Em apenas poucos anos elas poderiam avançar mais do que nos séculos precedentes.”

Progresso x Estagnação com Pessimismo e Alarmismo

Entretanto, essa perspectiva não foi apoiada por todos. Dentro e fora dos EUA, instituições e indivíduos influentes, comprometeram-se em fazer retroceder a crença no progresso. Quando no início do século XX souberam que a pesquisa da radioatividade significava uma revolução científica, que alguma hora levaria a uma fonte fantástica de energia para a humanidade, colocaram toda sua influência para estancar esse desenvolvimento. Como resultado desta frente de esforços, surgiu a “nova esquerda”, orientada para uma posição hostil a tecnologia, o movimento estudantil de 1968 e outras variações.

A Morte dos Irmãos Kennedy, Martin Luther King e a Guerra do Vietnã

A “inflexão neomalthusiana”, precisava acontecer nos EUA e para este fim, surge um proeminente homem dos bastidores, herdeiro do império petrolífero da Standard Oil. Rokefeller que, com seus amigos tinham um primeiro obstáculo: vencer a posição contrária dos presidentes Eisenhower e Kennedy, com seus ambiciosos programa espacial e política de crescimento econômico com os quais, era muito difícil disseminar ideias antidesenvolvimentistas. Só com o assassinato dos irmãos Kennedy, do ativista civil Martin Luther King e a guerra do Vietnã, transformou o clima espiritual nos EUA.

Ironicamente, foi o movimento de protesto contra a Guerra do Vietnã que ofereceu uma oportunidade favorável para conseguir uma ampla base ao malthusianismo. O clima de revolta da juventude confluiu com uma crescente frustração para reviver os movimentos românticos dos anos vinte. Isso tornou a nova geração facilmente manipulável, apesar de sua posição antiautoritária em determinadas questões. Essa era a grande chance de vantagem estratégica.

Clube de Roma e os Limites do Crescimento”

O Clube de Roma fundado na Europa, espalha numa edição de milhões de cópias pelo mundo, um estudo de 1972 sobre os “limites do crescimento”. Cientificamente falando, esse estudo era uma fraude, como o próprio presidente do Clube Aurélio Peccei, esclareceu posteriormente. Assim como Malthus anteriormente, ignorou-se a influência do desenvolvimento tecnológico sobre a relação entre população e recursos. Em 1972, a inflexão malthusiana já estava a todo vapor dentro e fora dos EUA.

Por outro lado alguns países em desenvolvimento, bem como o Vaticano, ainda se opunham energicamente à tentativa de colocar o controle populacional na ordem do dia. Alguns países insistiam que o verdadeiro problema não é a superpopulação, mas sim o subdesenvolvimento. Observa-se que quando os EUA e as nações europeias enriqueceram, ninguém falava em “limites do crescimento”. Agora, na vez do hemisfério Sul, pisam no freio!

Com Jimmy Carter, os EUA ganharam praticamente um governo “verde”, que “congelou” a expansão da energia nuclear doméstica e bloqueou com todos os meios, sua disseminação no “Terceiro Mundo”. É um segredo de Polichinelo, que o governo Carter apoiou diversos movimentos “verdes” na Europa e alhures – até mesmo quando eles assumiam posições “antiamericanas” radicais. Esta política econômica exterior dos EUA, teve consequências catastróficas para praticamente todos os países em desenvolvimento. O primeiro grande baque começou em 1973/74, quando Rockefeller e seus amigos em Londres e Wall Street conseguiram manipular uma grande “crise energética” desencadeada artificialmente. Os preços do petróleo subiram cerca de 400% em um ano e ainda mais depois. Os países em desenvolvimento que não tinham petróleo foram obrigados a se endividar pesadamente com novos empréstimos.

Energia Como Fator Chave: nos países industrializados, o consumo energético médio por pessoa é oito vezes maior que no resto do mundo

Um aumento sensível do padrão de vida para três quartos da população mundial, significa que a produção de bens materiais neste planeta precisa ser multiplicada. Para conseguir isso, duas condições essenciais precisariam ser atendidas:

1º) Será preciso introduzir tecnologias novas e revolucionárias que permitam desvendar novos recursos e aproveitar muito mais eficientemente os recursos conhecidos e tudo com uma sobrecarga menor no meio ambiente. As tecnologias que precisaremos usar já existem. Porém no momento, seu aproveitamento está bloqueado por motivos políticos e financeiros. Exemplo típico: energia nuclear.

2º) É preciso cada vez mais energia por pessoa e por quilômetro quadrado de superfície habitada, para garantir a existência de nossa sociedade humana. Nas tabelas usuais de diversas matérias-primas, muitas ficariam escassas num futuro próximo mas, esta não é a realidade. Os números em tais tabelas dão em geral apenas as reservas conhecidas de matéria-prima, que podem ser obtidas com um dado dispêndio de energia. Na verdade, as “reservas” de matéria-prima aumentam continuamente com um dispêndio energético crescente. As mesmas relações valem para a reutilização (reciclagem) de materiais, que no futuro, desempenhará um papel cada vez maior. Porém, não pode haver uma reciclagem de 100%; o motivo é o desgaste inevitável, devido ao uso.

Crescimento Nulo?”

Não existe na realidade. Mesmo com uma quantidade constante da população, o consumo energético da humanidade precisa crescer gradualmente, se não quiser com o tempo chegar num colapso. É fácil mostrar que a humanidade não deve temer nenhuma escassez de recursos no futuro com o desenvolvimento adequado da tecnologia energética, desde a energia nuclear até a fusão controlada.

Um período de crescimento e reconstrução significa que o consumo energético por pessoa em praticamente todos os países, logo convergirá para um “valor ideal” comum mas, cada vez mais alto. Não é de forma alguma fora de propósito prognosticar que o consumo energético no ano de 2040 seja de 20 a 50 vezes o de hoje.

Não dá para negar à população mundial, sob qualquer pretexto, as tecnologias essenciais para a solução de problemas agudos de desenvolvimento e depois querer controlar o inferno decorrente da pobreza e do caos por meio de uma “polícia mundial”.

A Energia Nuclear é Suficientemente Segura?

O que significa porém se a energia nuclear nos tempos vindouros tiver parte do leão no crescimento energético mundial isto é, muitos milhares de novas usinas nucleares sendo construídas no decorrer do próximo quarto de século. Isto seria imaginável em vista dos problemas, perigos e riscos discutidos da energia nuclear? Sem dúvida as usinas nucleares no Ocidente atingiram um grau muito elevado de segurança, apesar de todo pânico criado. Em 25 anos de uso civil de energia nuclear nos países ocidentais, não há nenhum acidente fatal. As pequenas falhas nas usinas nucleares, são quase todas de um tipo que surge em qualquer instalação industrial. Para a segurança da população, elas são totalmente irrelevantes.

Balanço de Outras Fontes Energéticas

Não parece tão favorável. Mundialmente morreram em grandes acidentes na mineração de carvão entre 1975 e 1988 mais de 2.500 mineiros. A extração, armazenagem e transporte de petróleo e gás natural causaram entre 1975 e 1988 mais de 3.000 vítimas fatais. A isso, somam os danos à saúde e ambientais, através da queima de uns 6 bilhões de toneladas anuais de carvão, petróleo e gás natural.

O perigo total das usinas nucleares com o padrão de segurança ocidental é estatisticamente desprezível, comparado aos perigos de catástrofes naturais ou à utilização de meios de transporte e outras tecnologias da vida diária.

Além disso, sob a superfície habitada da Terra na faixa superior de menos de 500 metros de profundidade, jazem bem espalhados uns 500 bilhões de toneladas de tório radioativo e 180 bilhões de toneladas de urânio radioativo, ambos com vida muito mais longa do que a maior parte dos “dejetos” armazenados. Vejamos, a expressão “dejeto” é muito enganadora. Uma boa parte dos isótopos radioativos produzidos num reator nuclear tem uso na indústria, medicina e pesquisa, com tendência a aumentar. Com a ajuda de aceleradores de partículas e provavelmente outras tecnologias, um dia estaremos na posição de transmutar artificialmente grandes quantidades de diferentes isótopos radioativos, ou de acelerar um processo de decaimento. Dessa forma, isótopos de vida longa serão transformados em isótopos de vida curta, ao mesmo tempo produzindo muita energia. Um químico nuclear sueco observou que algum dia, vai-se desejar recuperar o “lixo atômico” enterrado, porque ele terá se tornado nesse ínterim, matéria-prima muito preciosa.

No final, a tecnologia nuclear pode contribuir para diminuir um pouco a radiação na superfície terrestre, na medida que são trabalhadas as jazidas de urânio e tório que “contaminam” constantemente a água subterrânea e o ar junto ao chão.

Quando a energia nuclear for finalmente emancipada da repressão da política malthusiana, para as décadas vindouras não haverá nenhuma tarefa desenvolvimentista que não possa ser solucionada.

O mundo precisa na verdade de milhares de cidades novas funcionando bem, principalmente cidades médias, ao invés das monstruosas metrópoles miseráveis, que se aglomeram em muitos países, devido a um desenvolvimento falho. A construção de novas cidades tem a grande vantagem da infraestrutura essencial, com um sistema de transporte público altamente eficiente, subterrâneo, ser constrída do zero. Com o desenvolvimento ocorrendo nestas linhas, não há nada a temer do contínuo crescimento da população mundial. Bem pelo contrário, a Terra será mais bela, agradável e diversificada! Mas para tal, além da tecnologia e economia, é preciso acrescentar algo bastante decisivo: uma Renascença espiritual.

Cenário Diferenciado

Repetimos, o descerramento da energia nuclear mudou o mundo e marcou de determinada forma a vida de todas gerações futuras e com isso, um grande aumento das possibilidades de manter permanentemente a vida humana sobre este planeta.

Para tanto, precisamos de uma sociedade livre, que valorize o potencial criador e mental da cada ser humano e o leve ao maior desenvolvimento possível. Precisamos de uma sociedade que se desenvolva continuamente, para que as contribuições positivas de todos indivíduos sejam incluídas, uma geração fertilizando a próxima.

O enobrecimento moral do homem e da sociedade é essencial, para que o temido mau uso do conhecimento, do qual nos queixamos até hoje com Hiroshima e Nagasaki e em muitos outros lugares, possa ser coibido no futuro.

Como Álvaro Alberto Lida Com Este Complexo Cenário

Nosso herói era descendente de imigrantes portugueses que foram para a ilha de Açores em meados do século XVIII. No início do século XIX, seu bisavô emigrou com a família para Santa Catarina. Seu avô João Álvaro da Silva, foi uma de suas grandes influência. Farmacêutico, criativo e empreendedor, forjou uma família de inventores, militares, químicos e farmacêuticos. É um destes raros homens que surgem de quando em quando, com o poder de mudar o curso da sociedade e das nações. Poderíamos chamar na linguagem popular de “pensador e fazedor” . Com este perfil, tornou-se um dos maiores nomes da ciência brasileira.

[..] deve haver na vida um certo fio ininterrupto, dependente de algumas ideias condutoras e de um forte sentimento, que esclarecem a vida e determinam a personalidade da pessoa. […]”

Marie Curie

Ingressou na Escola Naval em 1906 e graduou-se em 1910. Com histórico escolar excelente, ele foi o primeiro de sua turma, agraciado com o Prêmio Greenhalgh, a maior honraria concedida pela escola a um aluno. Neste mesmo ano, durante a Revolta da Chibata, foi gravemente ferido num motim no encouraçado Minas Gerais que estava fundeado na Baia da Guanabara. Ele era o Oficial de Serviço. No embate, teve o ombro trespassado pela baioneta de um marinheiro amotinado, ao proteger o ministro da Marinha que estava no portaló da embarcação. Socorrido mediante evacuação por lancha, salvou-se e passou para a história naval como o primeiro oficial a ser atacado e ferido pelos amotinados.

Em 1911, provavelmente influenciado pelo histórico familiar, interessou-se por química dos explosivos, ingressando na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e logo depois, concluiu Pós-Graduação na Bélgica .

Álvaro Alberto encerrou sua carreira militar em 1917. Em 1921, ingressou na Academia Brasileira de Ciências – ABC a qual veio presidir em 1935. Foi um dos mais jovens presidentes da instituição, com apenas 46 anos de idade. Fundou a Sociedade Brasileira de Química. Deu aulas também na Escola Técnica do Exercito, onde ensinou química industrial. Voltou à Escola Naval, como professor e pesquisador. Em 1939, incluiu um tópico sobre energia nuclear e suas aplicações no programa oficial de ensino da Escola Naval e, em 1942 assumiu a chefia do departamento de Ciências Físicas, onde ficou até 1946. Lecionou por mais de 30 anos. Ao longo de todo este tempo, combinou seus talentos de cientista, militar, professor e empresário.

Estava permanentemente atento às evoluções científicas de sua época, com ênfase nos campos da física e da química. Correspondia com grandes nomes da ciência no mundo inteiro. Em 1945, empenhou-se na organização de um grande seminário de física nuclear, que envolveu os acadêmicos brasileiros que trabalhavam no tema, principalmente pesquisadores de São Paulo e Rio de janeiro.

Albert Einstein e Marie Curie
Albert Einstein e Marie Curie. Na década de 1920, o Brasil recebeu a visita de dois dos maiores expoentes da ciência mundial. Alvaro Alberto secretariou a uma sessão solene na Academia Brasileira de Ciências – ABC

Foi presidente da Academia Brasileira de Ciências nos biênios 1935 / 1937 e 1949 /1951, sendo que neste último, propôs ao governo a criação do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), hoje denominado Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Tornou-se o seu primeiro presidente.

Em março de 1945 foi criada a Comissão de Energia Atômica – CEA da ONU, fruto de vários acordos especiais entre os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e União Soviética, para estabelecer um controle mundial da energia nuclear. A resolução sobre a sua criação, estabelecia que esse controle seria implantado num processo gradual e progressivo. Mas não aconteceu assim.

Integravam a comissão os membros do Conselho de Segurança da ONU (EUA, união Soviética, China, Reino Unido e França) e os sete países potencialmente detentores de reservas de minerais estratégicos nucleares: Austrália, e Brasil, que já possuíam grandes reserva de urânio e tório; Canadá, que se tornaria o maior produtor mundial de urânio, Egito, México, Holanda e Polônia. Álvaro Alberto, foi designado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra para chefiar a delegação brasileira à CEA/ONU.

Ainda não havia decorrido um ano do bombardeio de Hiroshima e Nagasaki, foi elaborado o chamado Plano Baruch”, com a proposta de criar a Autoridade para Desenvolvimento Atômico, conduzir o controle tecnológico, promover o uso pacífico da energia atômica e, estabelecer o princípio da internacionalização das jazidas de minerais radioativos e de toda e qualquer instalação nuclear no mundo. O Plano, definia dois tipos de atividades nucleares: as permitidas e as não permitidas ou “perigosas”. Encabeçando a lista de atividades não permitidas, estavam a mineração e o refino de urânio e tório, que seriam internacionalizadas e expropriadas. A produção de energia elétrica para uso comercial foi definida como uma atividade fronteiriça. Com isso, caberia à Autoridade, o “direito de manter a propriedade do projeto, da construção e operação destas instalações” ou seja, dos reatores nucleares. O relatório jogava por terra todo e qualquer conceito de soberania.

Álvaro Alberto logo percebeu que a tônica do “Plano Baruch” era o controle mundial das reservas de minerais radioativos e esclareceu: Para o Brasil, o ponto sensível reside na restrição de soberania em que necessariamente, importa o controle internacional dessa nossa riqueza de grande futuro …”

A União Soviética não aceitou o “Plano Baruch” e apresentou outra proposta, elaborada por Andrei Gromyko, que tinha como ponto principal, um acordo internacional de proscrição completa do armamento nuclear.

No meio deste impasse Álvaro Alberto, é escolhido para presidir a Comissão. A sua nomeação foi noticiada no jornal norte-americano The New York Times sob o título “Brasileiro irá assumir a presidência da Unidade de Controle Atômico. A Comissão de Energia Atômica da ONU reunida no Henry Hudson Hotel […] elegeu por unanimidade o Almirante Álvaro Alberto do Brasil como novo presidente.”

1ª Assembleia Geral da ONU
10 de janeiro de 1946: Primeira Assembleia Geral da ONU

Álvaro Alberto passou a reagir contra a internacionalização das jazidas de materiais físseis e procurou introduzir no corpo do primeiro relatório da Comissão um dispositivo que assegurasse aos produtores de matérias-primas, o direito de prioridade para o seu aproveitamento. No final do ano seu objetivo foi alcançado com uma emenda no “Plano Baruch”, especificando que “a propriedade internacional das minas e dos minérios no solo não era mandatório”.

Álvaro Alberto demonstrou incrível presciência e grande habilidade política. Com um pequeno expediente técnico, talvez não percebido imediatamente pelos membros da delegação americana, pôs por terra a totalidade do espírito do “Plano Baruch”. Ao não controlar as minas, não haveria possibilidade efetiva de controle das etapas subsequentes dos materiais nucleares. A tese das “injustiçaras da natureza” apresentada pelos países centrais na Comissão, foi por ele derrotada. Declarou que estaria totalmente de acordo com a tese das “injustiças da natureza” desde que a mesma fosse estendidas ao petróleo e ao ouro.

A situação internacional se deteriorava. A chamada Guerra Fria, foi inaugurada no exato momento da instalação da Comissão de Energia Atômica em 1946. George Orwell em artigo publicado em 19 de outubro de 1945 intitulado “Você e a bomba atômica”, registra a sua percepção sobre o que a bomba atômica traria para o futuro do mundo: “É muito provável que cessem as guerras em grande escala ao custo de se prolongar indefinidamente uma paz que não é paz”.

Em janeiro de 1947, poucas semanas após votar a favor do “Plano Baruch”, a Grã-Bretanha, decidiu em segredo, produzir sua própria arma nuclear, que explodiria em 1952. Em 1949, a União Soviética explodiu a sua primeira bomba atômica. No início da década de 1950, já estava deflagrada a corrida armamentista atômica. Sua experiência na Comissão de Energia Atômica da ONU, lançou as bases para toda a política de não-proliferação que prevaleceu ao longo dos 60 anos seguintes. Essa política foi consagrada em 1968 com a assinatura do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.

O Que Fazer no Brasil no Campo da Energia Nuclear

Ao deixar a ONU, Álvaro Alberto se empenhou na criação do Conselho Nacional de Pesquisas. Estava convicto de que o aproveitamento da energia nuclear era uma frente a ser atacada, pois o país estava diante de um “dilema decisivo e irrecorrível: ou se preparava para tomar conta de suas riquezas naturais, nucleares, ou elas seriam tomadas, por bem ou por mal”.

Álvaro Alberto tinha uma política clara de valorização dos cientistas, pesquisadores e de investimento no potencial humano. Sempre defendeu que o desenvolvimento científico e tecnológico estava intimamente ligado a prosperidade do país.

Ao traçar novos rumos para a formação de pesquisadores, impõe-se a tarefa de enquadrá-los numa carreira na qual sejam reconhecidos pelos mesmos títulos como nas demais profissões, tendo direito a garantias que a sociedade concede aos servidores do bem público. Nenhuma outra carreira sobrelevaria neste direito ao pesquisador que na maior parte dos casos, se avantaja aos demais, pela dignidade da tarefa de concorrer para o progresso da ciência e portanto, ao esplendor da civilização”.

O caráter visionário de Álvaro Alberto o levou a propor ao presidente Getúlio Vargas em 1936, a criação de um Conselho Nacional de Pesquisas Experimentais, voltado para área agrícola. Vislumbrou a criação de instituições científicas que seriam criadas somente 30 ou 40 anos mais tarde, como o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da Universidade de São paulo, em 1966, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) em 1973. Pode ser considerado o inspirador do Brasil como potência agrícola, tal como é hoje no século XXI, o que só foi possível por conta da atuação de instituições como a Embrapa e a Cena.

O grande cientista brasileiro Carlos Chagas Filho comenta:

Álvaro Alberto teve o mérito de aproximar o governo dos pesquisadores e vice-versa. E sobretudo, de dar início a uma política científica que fosse bem elaborada e que se realizasse durante certo tempo sem interrupção … assim como o incremento da pesquisa que encontramos hoje no Brasil […]”

Chagas Filho

Programa Nuclear Brasileiro

O programa nuclear desenvolvido pelo almirante Álvaro Alberto, permitiu que o Brasil ingressasse na década de 1960 como uma potência nuclear plenamente desenvolvida. Ele explica à CPI, sobre a questão nuclear no Brasil: [] o princípio fundamental da política atômica, é construir acordos com várias nações amigas ao invés de ficar adstrito a um só amigo, por maior que o seja. Este foi o princípio que sempre norteou a minha ação prática e que consta das diretrizes ordenadas pelo senhor presidente da República […]”.

CNPq.F.0078_004a
Getúlio Vargas, Costa Ribeiro, Álvaro Alberto. O Presidente da República observa, em um contador Geiger, o índice de radioatividade de minérios encontrados pelo CNPq em Minas Gerais.

Em 31 de dezembro de 1963, João Goulart anunciou a decisão de construir a primeira central nuclear brasileira. Como combustível seria usado o urânio natural, prevendo-se a produção de plutônio necessário ao início de uma grande linha de reatores do ciclo tório-plutônio e tório-urano 233. Sua política nuclear, era revolucionária na medida em que priorizava o tório, minério abundante no Brasil. Reatores do ciclo tório-urânio já existiam como protótipos nos EUA e no Reino Unido. Eram reatores regeneradores ou seja, produziam mais combustível do que consumiam.

Centrífuga
Ultracentrifuge (FGV)

Em 1970, foi instaurada a segunda CPI sobre a questão nuclear no Brasil, concluindo que havia necessidade do Brasil se engajar fortemente num programa de geração nucleoelétrica. Aureliano Chaves foi o relator e demostrou cabalmente no relatório, baseado em sua experiência como ex-diretor de planejamento da Eletrobras, a necessidade de complementação térmica ao parque de geração elétrica brasileiro. Em 1971, iniciaram-se as negociações com a Westinghouse que culminaram com a assinatura do contrato em abril de 1972. A construção de Angra 1 começou em abril de 1971, com a previsão de potencia nominal de 620 megawatts.

A cooperação nuclear entre o Brasil e Alemanha veio a se concretizar em 1975, durante o governo Geisel, resgatando o princípio das compensações específicas formuladas por Álvaro Alberto. Permitia também ao Brasil, estabelecer um novo eixo de cooperação internacional sul-norte que afastaria o país da esfera exclusiva de influência norte-americana, permitindo a sua inserção autônoma no processo de globalização, que já tomava forma na década de 1970.

Atualmente, Brasil possui duas usinas em operação: Angra 1 e 2, instaladas no município de Angra dos Reis, estado do Rio de Janeiro, com potencial de geração de 2 mil megawatts. Angra 3 em construção, colocará mais 1080 megawatts de energia elétrica à disposição.

Em 1970, foi instaurada a segunda CPI sobre a questão nuclear no Brasil, concluindo que havia necessidade do Brasil se engajar fortemente num programa de geração nucleoelétrica. Aureliano Chaves foi o relator e demostrou cabalmente no relatório, baseado em sua experiência como ex-diretor de planejamento da Eletrobras, a necessidade de complementação térmica ao parque de geração elétrica brasileiro. Em 1971, iniciaram-se as negociações com a Westinghouse que culminaram com a assinatura do contrato em abril de 1972. A construção de Angra 1 começou em abril de 1971, com a previsão de potencia nominal de 620 megawatts.

A cooperação nuclear entre o Brasil e Alemanha veio a se concretizar em 1975, durante o governo Geisel, resgatando o princípio das compensações específicas formuladas por Álvaro Alberto. Permitia também ao Brasil, estabelecer um novo eixo de cooperação internacional sul-norte que afastaria o país da esfera exclusiva de influência norte-americana, permitindo a sua inserção autônoma no processo de globalização, que já tomava forma na década de 1970.

Atualmente, Brasil possui duas usinas em operação: Angra 1 e 2, instaladas no município de Angra dos Reis, estado do Rio de Janeiro, com potencial de geração de 2 mil megawatts. Angra 3 em construção, colocará mais 1080 megawatts de energia elétrica à disposição.

Usina Angra dos Reis
Usina Nuclear de Angra dos Reis

A Luta do Bem Contra o Mal

Qualquer que seja o rumo trilhado pela Ciência, é indispensável que ela contribua para religar a razão ao sentimento, tendendo a substituir por completo o ceticismo […] pelo robustecimento da fé na dignidade e beleza de nossa existência, na proficuidade dos nossos esforços, na santidade do altruísmo humano, na existência do Bem sobre a Terra, na preponderância do Bem sobre o mal.”

Álvaro Alberto

A Humanidade hoje, domina o processo de fissão nuclear controlada. Existem no mundo atualmente 450 reatores nucleares para fins pacíficos operando em 33 países e 50, em construção. São conhecidos mais de três mil isótopos, a maior parte deles produzidos artificialmente. A moderna medicina seria inconcebível sem a utilização de centenas destes isótopos, utilizados em tomografias, exames de ressonância magnética, técnicas de diagnóstico por imagem que, crescem exponencialmente nas últimas décadas.

Por outro lado, milhares de armas nucleares com enorme poder de destruição, mantêm a população mundial refém de um terror oculto. Esforços gigantescos são empreendidos pelos países detentores de armas nucleares para impedir que outros países possam obtê-las. Pouco a pouco, porém, novos países estão se juntando ao restrito “Clube Atômico”.

Caberá ao Homem invocar a moral, o bom senso e a razão para alterar este quadro. Uma agenda de paz e desenvolvimento para o futuro da Humanidade envolverá inevitavelmente, o desarmamento nuclear total das potências nucleares “em boa fé”, tal como dispostos no artigo sexto do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. João Augusto de Araújo Castro, ministro das Relações Exteriores durante o governo de João Goulart, comenta: A Carta das Nações Unidas precisa ser revista, de modo que ela possa tornar-se uma expressão de justiça e deixe de ser um subproduto do poder […]Como está dito no 3º capítulo de Eclesiastes, versículos 1-3: ‘Para cada coisa há seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher o que se plantou. Há tempo de matar e tempo de curar. Tempo de demolir e tempo de edificar’. Concluiu: Já matamos e demolimos demais; agora é o tempo de curar e de edificar”.

Devemos, trabalhar para que a energia nuclear não seja privilégio exclusivo de poucos mas, possa estar disponível a todos os mortais como instrumento de prosperidade, progresso e paz. Esperamos que esta formidável energia possa ser liberada parcimoniosa e prudentemente, para o bem da Humanidade.

É impossível construir um mundo melhor sem melhorar os indivíduos. Neste sentido, cada um de nós deve trabalhar para o seu próprio aperfeiçoamento, para tomar para si, aquilo que lhe coube de responsabilidade na história da humanidade e, permanece seu dever consciente, o de ajudar aqueles a quem mais pode ser útil” 

Marie Curie

O Amanhã

Pensemos na decadência cultural do século XX, na terrível dilapidação de vidas por meio de guerras, pobreza e epidemias! Principalmente, no emburrecimento dos homens através dos meios de comunicação de massa, cada vez mais grave nos últimos decênios do século XX e, na incrível hipocrisia transformada comumente em “opinião pública”.

Fala-se muito em democracia e direitos humanos, enquanto a metade da humanidade passa fome. Fala-se de livre concorrência e países inteiros são arruinados por especuladores e carteis de drogas. Amaldiçoam a tecnologia que tornou possível a vida de bilhões de pessoas. Fazem da própria vida humana um inimigo, elevam finalmente a Terra à categoria de deusa e começam a lhe fazer sacrifícios humanos! Nascemos para coisa melhor.

Não se deixem impressionar com o conhecimento científico alcançado. Ele forma a base imediata de todas as atividades necessárias para a conservação da sociedade humana, da agronomia e indústria até medicina. Mas esse mesmo conhecimento, torna-se um obstáculo ou até desastroso, quando se vê nele mais do que apenas um trampolim que, permite o salto para estágios superiores do conhecimento.

Não se intimidem ao se expor e contrapor dogmas e preconceitos, mesmo quando são compartilhados pela maioria dos “entendidos”. Principalmente esforcem-se por conhecer os pensamentos daquelas pessoas que no passado fizeram descobertas revolucionárias. Apropriem-se com a ajuda de suas próprias palavras dos grandes princípios de descobertas ou das “hipóteses superiores”, que através de diversas revoluções científicas expandiram sua fertilidade. A esse conhecimento superior pertence o princípio platônico das ordens harmônicas, que dentre outros, acha sua expressão no sistema periódico dos elementos. Com essa postura, descubram os paradoxos e anomalias do conhecimento atual. Bem ali, onde os livros-textos gostam de calar, estão as descobertas do futuro.

O certo, é que a atual forma de energia nuclear não representa a “última palavra”. Ela é útil, indispensável e ainda constitui a ponte para algo mais, que ainda está por vir. Com passos lentos porém firmes, aproximamo-nos do domínio técnico das reações de fusão nuclear controlada, em temperaturas acima de 100 milhões de graus. Com isso, abre-se uma nova era tecnológica.

Possibilidades ainda mais fantásticas surgem no horizonte.

Deve haver sempre gente que tenha visões e inspire com palavras e atos seus semelhantes: homens que se esforcem para despertar o melhor nos outros e lhes dar coragem de superar suas fraquezas.

Faço parte daqueles que acreditam que a ciência é algo muito belo. O cientista em seu laboratório não é apenas um técnico. Ante os segredos da natureza ele fica com o mesmo fascínio que uma criança diante de um belo conto de fadas … Não temo que o amor ao desconhecido e o anseio da grande aventura da época de hoje estejam ameaçados de desaparecer. O mais vívido que vejo a minha volta, são justamente aquele anseio e amor, que não se deixam exterminar e que estão intimamente ligados à curiosidade científica”.

jtennenbaum
Jonathan Tennenbaum

A Construção De Um Amanhã Melhor Para Todos

A humanidade prepara-se para dirigir a sua atividade de conquista cada vez menos para a guerra e cada vez mais para o trabalho. O despertar da humanidade baseia-se na produção de meios que lhe assegurem a sobrevivência. Isto é o que interessa a vida … Começa-se a compreender que é mais conveniente, em vez de gastar energias em atritos, canalizá-las em direção ao trabalho produtivo. Chegar a compreender uma nova verdade é o trabalho mais difícil, mas o mais importante. Adquirir uma nova verdade significa enriquecer o próprio patrimônio com conhecimento e potência, ter ascendido evolutivamente, com todas as consequências que tal fato implica, ter dado um novo passo em direção ao alto, entrando num mais elevado nível de vida. Neste caso, a nova verdade consiste em ter compreendido o valor do trabalho.

Acordemos para sair da inercia que nos entorpece. Prestemos mais atenção aos convites que não deixam de chegar a nós. Sejamos mais generosos em nossas respostas, na prática da fraternidade, caminho que nos levará a ventura humana, à libertação da ignorância e dogmas que escravizam.

* Este trabalho é um compêndio com citações das seguinte obras/títulos:

1- Guilherme Camargo, “O fogo dos deuses – uma história da energia nuclear” Contraponto Editora Ltda 2ª edição 2007;

2- Jonathan Tennenbaum, “ENERGIA NUCLEAR, Uma Tecnologia Feminina” Capax Dei 2ª edição 2007;

3- Ronald dos Santos Santiago Capitão-de –Mar-e-Guerra (RM1) Vice-Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva” <https://www.marinha.mil.br/dgdntm/diadaciencianamarinha>

4- Pietro Ubaldi, “A Descida dos Ideias” Fundação Pietro Ubaldi 2ª edição, 1984

 

Sobre o autor

Redação Rumar

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