Meteorologia e Oceanografia

Freak Waves

“Freak wave” que alcançou uma altura de 60 pés no sul de Valdez, no Alasca, em fevereiro de 1993. Fonte: https://www.livescience.com/14600-freak-waves-spring-clash-wave-patterns.html

As “freak waves” ou “rogue waves”, conhecidas no Brasil como ondas anormais, extravagantes ou transientes, são as que excedem a altura máxima prevista estatisticamente para um determinado conjunto de medições. São, em geral, ondas com grande esbeltez, com surgimento inesperado em locais de profundidade arbitrária (águas profundas, intermediárias ou rasas). A ocorrência desse fenômeno foi considerada como parte do folclore marítimo por muito tempo, até que pudesse ser confirmada por medições de campo, satélites e fotografias.

As áreas onde ocorrem com maior frequência essas ondas possivelmente estão associadas a correntes fortes que se deslocam em sentido contrário ao da propagação das ondas, como o que ocorre na corrente das Agulhas, a Sudeste da África. Porém, têm sido detectadas ondas deste tipo em todos os oceanos, em condições oceanográficas diversas, o que sugere que podem ter outras origens.

As “freak waves”, que ocorrem repentinamente, sem qualquer aviso, podem destruir um navio, entretanto, o ciclo de vida e a área de atuação dessas ondas são muito curtos, tornando muito pequenas as chances de um navio ter que enfrentá-las. Apesar de as chances serem pequenas, as “freak waves” da costa Sudeste da África do Sul já causaram graves avarias em navios que trafegavam entre o Cabo Recife e a Ponta Durnford, no litoral Sudeste da África do Sul. Essas ondas são excepcionalmente longas (cerca de 300 metros de comprimento), cuja crista é precedida de um profundo cavado, resultando em uma altura de onda de cerca de 20 metros.

Os navegantes devem ter cautela ao trafegarem ao largo da costa Sudeste da África do Sul quando presentes as seguintes condições: navegação no rumo SW, pressão baixa, passagem de frente fria, mar grosso e forte vento SW. Ao ocorrer tais condições, um navio navegando no rumo SW deve manter-se afastado da borda da plataforma continental (isóbata de 200 metros), sendo a melhor opção aproximar-se da costa, permanecendo no interior da isóbata de 200 metros, até as condições do mar e vento melhorarem. Para navios cuja carga exige que mantenham uma distância maior da costa, é sugerido que se navegue além da área de maior influência da Corrente das Agulhas, ou seja, a não menos de 20 milhas para o largo da borda da plataforma, onde será menor o risco de encontrar uma “freak wave”.

 Fonte da imagem: NAVEGAÇÃO: A CIÊNCIA E A ARTE – VOLUME III NAVEGAÇÃO ELETRÔNICA E EM -CONDIÇÕES ESPECIAIS. Cap 42, pag 1638-1682.

Referências:

Candella, R. N., E Candella, M. V. Rev. Bras. Geof. vol.28 no.4 São Paulo Dec. 2010 Investigações sobre a ocorrência de ondas anormais em Arraial do Cabo, RJ

Gestão Costeira Integrada. http://www.aprh.pt/rgci/glossario/ondaRogue.html

NAVEGAÇÃO: A CIÊNCIA E A ARTE – VOLUME III NAVEGAÇÃO ELETRÔNICA E EM -CONDIÇÕES ESPECIAIS. Cap 42, pag 1638-1682.

Sobre o autor

Centro de Hidrografia da Marinha

O Serviço Meteorológico Marinho brasileiro (SMM), executado pelo Centro de Hidrografia da Marinha, provê apoio ao navegante por meio da emissão de avisos de mau tempo, elaboração de cartas sinóticas e de boletins de previsão meteorológica para toda a METAREA V (área de responsabilidade marítima brasileira).

As atividades desenvolvidas pelo Serviço Meteorológico Marinho brasileiro são executadas em cumprimento a Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS 1974-1988, Ratificada pelo Brasil por meio do Decreto 92.610).

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