Meteorologia e Oceanografia

Desvendando os Nevoeiros

O nevoeiro, também denominado de cerração ou neblina, nada mais é que uma nuvem do tipo stratus, que se forma sobre a superfície e cuja base se encontra em contato com o solo. Por convenção internacional, usa-se o termo nevoeiro quando a visibilidade horizontal é inferior a 1 km. Caso seja maior que 1 km e menor que 10 km, a suspensão de gotículas de água é denominada névoa úmida. A redução de visibilidade for decorrente de partículas sólidas em suspensão como poeira , é chamada de névoa seca.

Neveiros podem ser considerados os fenômenos meteorológicos mais difíceis de prever porque podem formar-se em qualquer lugar, época do ano ou período do dia e sua ocorrência depende de condições atmosféricas e geográficas específicas. A ocorrência do nevoeiro é decorrente da saturação do ar, ou seja, quando a umidade relativa chega a 100%. Há diversas formas de haver a formação de um nevoeiro, como por exemplo, quando o ar se torna saturado através do resfriamento noturno ou por adição de vapor d’água. Os nevoeiros são classificados de acordo com o mecanismo que lhe dá origem, sendo os principais tipos os nevoeiros de radiação, de advecção (transporte horizontal), de vapor, os orográficos e os associados a sistemas frontais.

O nevoeiro de radiação resulta do resfriamento do ar ao longo de uma noite de céu limpo (em que há maior perda de calor para o espaço), com ventos fracos e umidade relativa razoavelmente alta. Se o ar estiver calmo, o nevoeiro pode ser raso e descontínuo. Para um nevoeiro com maior extensão vertical, é necessária a presença de ventos da ordem de 3 a 5 km/h para promover uma mistura fraca do ar adjacente à superfície, sem dispersá-lo. Se os ventos se tornarem muito fortes, o ar úmido em níveis baixos se mistura com o ar mais seco acima, diminuindo a umidade relativa e o fenômeno acaba não se desenvolvendo.

O ar que é resfriado por perda radiativa tende a escoar para áreas mais baixas, como resultado, o nevoeiro de radiação é mais espesso em vales, enquanto as elevações em volta não estão encobertas. Normalmente estes nevoeiros se dissipam em 1 a 3 horas após o nascer do Sol. Frequentemente se diz que o nevoeiro se “levanta”. Contudo, ele realmente não se levanta. O Sol, aos poucos, aquece a superfície terrestre que, por sua vez, aquece inicialmente o ar em contato com ela, assim, o nevoeiro se dissipa a partir da base, dando a impressão de levantamento. No inverno, quando a radiação solar mais fraca é refletida mais facilmente pelo topo da camada de nevoeiro, ele pode ser mais persistente.

O nevoeiro de advecção ocorre quando uma massa de ar quente e úmido passa sobre uma superfície fria, resfriando-se por contato até atingir a saturação. Sobre o mar, essa situação é comum quando há transporte de ar quente sobre uma área com temperatura da água mais baixa. Uma certa quantidade de turbulência é necessária para um maior desenvolvimento do nevoeiro. Assim, ventos entre 10 e 30 km/h são usualmente associados ao nevoeiro de advecção. A turbulência não só facilita o resfriamento de uma camada mais profunda de ar, mas também eleva o nevoeiro verticalmente. Diferentemente dos nevoeiros de radiação, nevoeiros de advecção são frequentemente profundos e persistentes, podendo durar mais de 24 horas.

Os nevoeiros de vapor, ao contrário, se formam quando o ar frio passa sobre uma área com temperaturas da água relativamente altas, o que leva à saturação do ar devido à evaporação da água do mar. Esses nevoeiros normalmente são rasos, de cerca de 15 a 30 metros, porém espessos o bastante para interferir na navegação, sendo comuns no outono, quando a água ainda está quente e o ar já está sendo resfriado.

Um nevoeiro orográfico é formado quando ar úmido sobe um terreno inclinado, como encostas de colinas ou montanhas. Devido ao movimento ascendente, o ar se expande e resfria adiabaticamente. Se o ponto de orvalho é atingido, pode-se formar uma extensa camada de nevoeiro.

Finalmente, os nevoeiros associados a sistemas frontais são aqueles que ocorrem antes (pré-frontais), durante (frontais) ou após (pós-frontais) a passagem de um sistema frontal.

De qualquer forma, todo o navegante que se fizer ao mar, deve buscar se atualizar com as previsões do tempo, caso haja condições para nevoeiro, ou mesmo que seja observado, buscando tomar as devidas precauções, navegando com cautela e segurança.

Foto: Richard Price (https://unsplash.com/ acesso em 29/10/2018).
Foto: Richard Price (https://unsplash.com/ acesso em 29/10/2018).

Sobre o autor

Centro de Hidrografia da Marinha

O Serviço Meteorológico Marinho brasileiro (SMM), executado pelo Centro de Hidrografia da Marinha, provê apoio ao navegante por meio da emissão de avisos de mau tempo, elaboração de cartas sinóticas e de boletins de previsão meteorológica para toda a METAREA V (área de responsabilidade marítima brasileira).

As atividades desenvolvidas pelo Serviço Meteorológico Marinho brasileiro são executadas em cumprimento a Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS 1974-1988, Ratificada pelo Brasil por meio do Decreto 92.610).

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