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Água Modal

Por Vanessa Bach Rodrigues

O oceano é composto por correntes oceânicas que transportam diferentes massas d’água, com características específicas. A Corrente do Brasil, por exemplo, transporta em superfície, a Água Tropical – um tipo de massa d água quente, formada nos trópicos. Já a Corrente das Malvinas, transporta uma massa d’ água mais fria, proveniente do Polo Sul. Quando estas duas correntes se encontram é formada uma frente oceânica, onde água
menos densas ficam na superfície e águas mais densas afundam. Regiões de frentes oceânicas são, normalmente, áreas de grande instabilidade, podendo inclusive ser observada a formação de vórtices oceânicos. O que acontece no caso da Água Modal é que durante esta mistura e ajuste de estabilidade, uma extensa camada de água quase homogênea é aprisionada em regiões mais profundas, conservando as características (temperatura e salinidade) adquiridas em superfície.

Este tipo de feição normalmente ocorre no lado mais quente das correntes de contorno ou em frentes oceânicas e apresentam baixos valores de vorticidade potencial, justamente devido aos valores de temperatura e
salinidade praticamente constantes.

As águas modais estão distribuídas por todo o oceano, e podem ser classificadas como Subtropicais, Subpolares e Subantárticas, de acordo com a sua localização. No Atlântico Sul, na região de Confluência entre as
Correntes do Brasil e Malvinas, pode ser encontrada a Água Subtropical do Atlântico Sul (AMSTAS). A AMSTAS apresenta uma espessura de aproximadamente 200 m, encontra-se em profundidades entre 30 e 350 m, um gradiente de temperatura quase constante, entre 14,1 a 15,9 oC e valor mínimo de vorticidade potencial de 1,5×10 -10 m -1s -1. Dentro dessa classificação geral, a AMSTAS ainda possui subdivisões de acordo com suas
características e pode ser classificada de três tipos: tipo 1, tipo 2 e tipo 3. A figura a seguir mostra a distribuição dos três tipos de AMSTAS no Atlântico Sul.

Figura 1. Distribuição da AMSTAS do tipo 1 (vermelho), do tipo 2 (azul) e do tipo 3 (verde) no Atlântico Sul. Fonte: Sato, O. and P. Polito, 2014:. Observation of South Atlantic subtropical mode waters withArgo profiling float data.Journal of Geophysical Research, submited.


O mais interessante é que cada tipo de água modal possui relação direta com as condições oceânicas e climáticas do momento de formação. Sendo assim, o conhecimento da distribuição e das características de cada tipo
de água modal no oceano pode ser utilizada como um traçador ambiental para a compreensão dos processos na interface oceano–atmosfera.

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Fabrizio

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