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PROJETO ECOBOAT – Entrevista com Lourenço Ravazzano, diretor de Operações da ECOBOAT.

ECOBOAT recolhendo lixo flutuante na enseada de Botafogo, Baia de Guanabara – RJ.

1) Em que consiste o projeto e como surgiu a ideia? Alguma inspiração em projetos similares no exterior?

A ECOBOAT disponibiliza uma Solução Ambiental Integrada – remoção de resíduos sólidos flutuantes do espelho d’água, atrelada à destinação final (logística terrestre), para receptores devidamente licenciados pelos órgãos ambientais. Todo e qualquer corpo hídrico, desde que abrigado (InShore), é potencial demandante de nossa solução. É um Projeto Naval consolidado e patenteado, cujas embarcações coletoras foram concebidas rigorosamente para nossa realidade – robustas e funcionais-, removendo os mais variados e volumosos tipos de resíduos sólidos. Trata-se de um Projeto idôneo, auditado pela Francesa ProOceano (CLS Group Company). Inicialmente, o projeto foi idealizado pelo dentista carioca Sérgio Rothier, pescador de oceano, que verificou bastante lixo flutuante durante suas pescarias, afastadas da Costa, sem nenhuma inspiração em qualquer outro projeto já existente.

2) Em que ano a ECOBOAT começou suas atividades?

O projeto ECOBOAT foi iniciado no final dos anos 90.

3) Como é feita a retirada dos resíduos flutuantes?

A embarcação possui uma pá coletora projetada na proa que retém o lixo flutuante, sobrenadante, até 0,50 m no espelho d’água. Quando a pá coletora está repleta, o guincho elétrico é acionado para bascular a pá e transferir o lixo para o convés, onde há uma rede utilizada para descarregar o lixo da embarcação para “terra”.

Operação no Arsenal de Marinha – Ilha das Cobras, Baia de Guanabara, RJ.

4) Qual é a destinação final dos detritos recolhidos pelas embarcações?

A destinação dos resíduos se dá em receptores devidamente licenciados pelos órgãos ambientais. Parte era destinada para a reciclagem, onde um cooperativado (membro da cooperativa de catadores de materiais recicláveis) já separava o lixo passível de reciclagem a bordo da embarcação em um “big bag” que, quando cheio, era recolhido pela Cooperativa. Infelizmente, em meados de 2015, o Estado declinou deste procedimento em função da proximidade dos Jogos Olímpicos porque achavam que, sem a seleção do material, a coleta seria agilizada.

5) Quais detritos são mais comumente encontrados?

Os resíduos mais comuns são:

Madeira, folhas, polímeros (em geral), PET, animais, peixes, papelão, alumínio, vidro, dentre outros tipos de embalagens.

Carcaça de geladeira sendo coletada pelo ECOBOAT.

6) Já recolheu algo bastante inusitado? O que por exemplo?

De mais inusitado podemos citar: cadáveres, manequins, carcaças de eletrodomésticos, móveis (os mais variados), brinquedos em geral e animais mortos

7) Com quantas embarcações o projeto conta atualmente?

Contamos, atualmente, com 09 embarcações

8) Em que regiões do Brasil a ECOBOAT opera ou já operou?

O projeto opera no Rio de Janeiro, Rio Pinheiros (SP), Baixada Santista (SP) e no Rio Capibaribe (Recife – PE)

ECOBOAT, recolhendo um banco de madeira.

9) Como foi a atuação da ECOBOAT nas Olímpiadas do Rio em 2016?

A nossa operação durante a RIO 2016 foi considerada exitosa. A partir de uma força tarefa, iniciada ao nascer do sol, as embarcações coletoras interceptavam o lixo através do monitoramento/modelagem disponibilizado pela gerenciadora PROOCEANO.

10) O projeto promove alguma campanha de conscientização social e ambiental?

Sim, contemplamos uma impactante dinâmica Social com envolvimento de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, beneficiadora de madeira (Chaco Vaco), além de um Programa de Educação Ambiental, o qual promove passeios ecológicos na Baía de Guanabara, a bordo de um catamarã, com capacidade para 100 pessoas. Ressalto que temos a chancela do Poder Público – SEAS, INEA, MMA, COMLURB, Marinha do Brasil, dentre outros.

Operação no Rio Pinheiros – SP.

11) As atividades contam com parcerias?

Sim, temos parceria com a Marinha do Brasil, com os governos do Município e do Estado do Rio de Janeiro e, neste momento, estamos buscando com o RUMAR, por exemplo.

12) Quais e onde se deram as operações mais recentes?

Baía de Guanabara (Boulevard Olímpico e arredores do Arsenal de Marinha), Baixada Santista, SP, Rio Capibaribe (Recife), Rio Pinheiros SP (paralisada recentemente).

Operação no Rio Pinheiros – SP.

13) No atual cenário nacional, no que concerne à poluição de nossas águas e à educação da população, a ECOBOAT chega a ser de uma necessidade ostensiva. Como você vê a atuação do projeto em um cenário melhor, com menos lixo sendo jogado em nossas águas?

A atuação seria menos ostensiva, talvez com operações em dias intercalados e até mesmo uma possível redução da frota de barcos.

14) Retirando o lixo flutuante, a ECOBOAT garante a segurança da navegabilidade, principalmente de embarcações pequenas. O que você gostaria de falar sobre isso?

Esse resíduo volumoso, pesado, representa uma grande ameaça à segurança da Navegação. Quando uma embarcação colide com um tronco, por exemplo, na maioria das vezes, danifica os sistemas de governo e propulsão (Leme, eixo, pé de galinha, hélice etc.).

ECOBOAT, recolhendo um sofá na Baixada Santista

15) Gostaria de fazer alguma consideração final?

Fico espantado com o número reduzido de iniciativas de combate ao lixo no mar para mitigar os impactos e reduzir a maior causa de mortalidade (ingestão de plásticos) de várias espécies em extinção. Os mutirões de limpeza de praias e manguezais não são recorrentes. O VERDADEIRO ATIVISMO NÃO É AQUELE QUE APONTA OS DANOS AO MEIO AMBIENTE E SIM AQUELE QUE AGE E MOBILIZA PARA REVERTÊ-LOS!

Jornalista responsável: Flavio Porto começou como jornalista trabalhando no primeiro provedor de internet do Rio de Janeiro, o Inside Information Systens (IIS) nas funções de webmaster, editor e redator da página principal e do seu site sobre jogos eletrônicos, o “jogos.com.br”, além de trabalhar como colaborador na revista mensal “Mundo dos Jogos”. Após aprovação em concurso, passou a integrar a revista do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro como jornalista e repórter fotográfico. Depois, atuou por alguns anos como chefe do antigo Serviço de Comunicação e Identidade Visual do mesmo Tribunal. Também fez uma exposição literária-fotográfica no Museu da Justiça do TJRJ durante esse período. Atualmente, escreve para o Rumar.org.br, voluntariamente.

ECOBOAT recolhendo lixo flutuante nos arredores da Praça Mauá, Baia de Guanabara – RJ