ESPORTE Vela

Brasileiros concluem a tradicional Cape to Rio e podem conquistar pódio em uma das mais tradicionais regatas do mundo

Cr[edito: Divulgação/ICRJ

O Iate Clube do Rio de Janeiro recebe os primeiros barcos da disputa de uma das mais importantes e tradicionais Regatas de Vela de Oceano do mundo, a Cape to Rio, que teve largada no dia 27 de dezembro, no Royal Cape Yacht Club, na Cidade do Cabo, na África do Sul. 

A regata é uma das mais tradicionais do mundo e data de 1971 acontecendo em média a cada três anos e se encontra na 18ª edição com barcos da África do Sul, Brasil, Alemanha, Estados Unidos, Noruega e da Suíça.

O primeiro barco a cruzar a linha de chegada, na noite de segunda-feira, foi a equipe alemã do Vineta após mais de 3,6 mil milhas náuticas percorridas em 16 dias, comandado por Felix Scheder-Bieschin. Os campeões finais ainda serão definidos ao término do último barco a cruzar com expectativa para o próximo dia 26 de janeiro.

“Muito tocante avistar o Pão de Açúcar na aproximação ao Rio pois estávamos velejando há mais de duas semanas, achamos que nunca íamos parar e daí nos demos conta que estávamos aqui . Nunca tinha vindo aqui, é minha primeira vez e poder ver essa costa é algo lindo”, disse Felix.

“A Cape to Rio é uma regata desafiante, de travessia do Atlântico Sul, que para o ICRJ tem um grande significado, pois mantém a “chama acesa” para as Regatas Oceânicas, que estão acabando, especialmente na América do Sul” ,destacou Ricardo Baggio, um dos organizadores e Diretor de Vela do Iate Clube do Rio de Janeiro: “As condições de vento estão sendo muito boas, com ventos de boa intensidade e favoráveis, vento em popa, durante todo o percurso”.

Brasileiros chegam fortes com chances de pódio
Os brasileiros estão com uma das maiores flotilhas da história com três barcos, dois deles com reais chances de pódio no geral, como o Esperança, do Rio Grande do Sul, comandado por Márcio Lima, e o Audaz 2, comandado por Gustavo Lis, com parte da tripulação de Paraty (RJ) e parte do Rio Grande do Sul. Os dois veleiros cruzaram a linha de chegada nesta quinta-feira em segundo e terceiro lugar respectivamente e resultados finais corrigidos. A briga dos brasileiros em especial está com o Vineta e com o Angel Wings.

“Tive a felicidade de reunir bons amigos e velejadores à bordo e trabalhamos o tempo inteiro, um dos tripulantes é meu filho, fiquei muito feliz de tê-lo comigo. Fizemos uma má largada, mas conseguimos recuperar e lutamos muito para nos manter na frente. Viemos com o balão assimétrico e um barco pesado que não plana. Sabíamos que ao longo da regata iríamos recuperar e foi fantástico. Nunca vi tão bom acolhimento como em Cape Town, impressionante a organização e tenho certeza que será igual aqui no Rio de Janeiro dos meus amigos que já conhecemos. São família, Brasil e África separados somente por um Oceano, são irmãos”, disse o comandante do Esperança, Márcio Lima, após sua chegada na capital carioca.

Outro grande destaque brasileiro é o Suidoos 2 de Livia Theodora do Prado que vem velejando sozinha pelo Oceano Atlântico no barco de nove metros,  um feito inédito para uma mulher brasileira na regata.

“Podemos dizer que vai ficar registrado para a Vela Brasileira, essa participação de três barcos, sendo que uma com uma mulher participando em solitário. Não posso precisar, mas sem dúvida se não é a com maior número de barcos Brasileiros, mas é uma das que já teve o maior número, dentre todas as edições”, destacou Baggio.

José Roberto Braile, Comodoro do ICRJ, destacou: “É uma regata tradicional,  um desafio para os brasileiros. Para vela de oceano brasileira a maior regata do hemisfério sul.Para a vela como um todo, uma meta para os velejadores que querem ter experiência oceânica. Essa regata ficará marcada na história pela forte presença brasileira”.

A premiação acontecerá no Iate Clube do Rio de Janeiro ao término do último barco.