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Yacht Club Santo Amaro – YCSA: 88 anos formando esportistas diferenciados para o Brasil

“Navegar é preciso, viver não é preciso i

imagesComo tudo começou…

Os barcos a vela são utilizados como meio de transporte desde a antiguidade. Ao longo da história, a navegação a vela tem sido um importante instrumento no desenvolvimento da civilização, contribuindo efetivamente para aproximar o continentes, ilhas e arquipélagos, as partes habitadas do planeta que afloram dos oceanos.

Existem registros de navegação a remo e a vela, há pelo menos 5 mil anos a.C., realizadas tanto pelas civilizações ocidentais no Mar Mediterrâneo como também pelos polinésios no Oceano Pacífico.

 

1906 – 1930: no final do século XIX começaram a ser criadas as condições que iriam transformar São Paulo numa das maiores metrópoles do mundo. Para promover esse desenvolvimento, era imprescindível a disponibilidade de energia elétrica. Em 1899, o Governo do estado de São Paulo concedeu à Empresa Canadense Tramway, Light and Power Company a exploração do serviço de geração e distribuição de eletricidade. Para produzir eletricidade com águas dos rios Tietê e Pinheiros, a Light construiu a Usina de Parnaíba – atual usina Edgard de Souza. Assim foi iniciado o primeiro complexo hidrelétrico do país. A produção desta usina, precisava continuar no mesmo ritmo em meses de seca e, o aumento do consumo de energia na cidade estava em franco crescimento. Para atender a estas duas demandas, a Light decidiu fazer um reservatório na Foz do rio Guarapiranga. Em 1906, a companhia solicitou ao governo estadual a desapropriação das terras da região, para criar um reservatório com cerca de 200 milhões de metros cúbicos de água, que alagariam 34 quilômetros de área.

projeto da represa
Mapa da área que a Light imaginava inundar. O reservatório ficou maior e não foi feita a estrada ferro ao lado. Fonte: “Soprando as velas” 1

Com esta solução, bastaria abrir as comportas da represa nos meses de seca, para aumentar a vasão dos rios Pinheiros e Tietê. Mesmo com os protestos da pequena população que vivia no local, a Light iniciou a demarcação da área da futura represa e o desmatamento da região central. Em seguida, foi construída uma barragem de 1.640 metros de extensão, por aproximadamente 25 metros de altura.

CONSTRUÇÃO DA REPRESA DE SANTO AMARO nº1051(21 agosto 1907) cópia 2
http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2016/03/represa-de-guarapiranga-imagens-da.html

Após três anos de obra em abril de 1909, a barragem ficou pronta e, as comportas foram fechadas, formando a represa de Guarapiranga. Nessa época, Santo Amaro já contava com uma numerosa colônia de imigrantes alemães que começaram a se fixar na região desde 1829, quando D. Pedro I determinou que 129 colonos recém-chegados ao Brasil, fossem instalados ali para implantação das lavouras. A comunidade cresceu, especialmente no início do século XX com o vigor da industrialização sendo que muitos, foram atraídos pela beleza da represa de Guarapiranga. Os alemães construíam seus próprios barcos para passear no lago. Era o início de uma história instigante e, sob vários aspectos exemplar, que vamos agora percorrer. Bem-vindo a esta viagem navegador!

A fábrica de campeões

Em 8 de agosto de 1930 , nascia o Deutscher Segelclub, mais tarde rebatizado de Yacht Club Santo Amaro – YCSA. Seus fundadores não imaginavam a brilhante trajetória que o clube iria tornar, destacando-se entre os melhores clubes de vela do mundo. Um rústico recanto de lazer, transformava-se numa agremiação onde a arte de velejar é vivenciada por gerações de vencedores. Seus iatistas, trouxeram inúmeros títulos nacionais e internacionais, incluindo medalhas olímpicas e pan-americanas. Ernesto Reibel, diretor do Clube por décadas, sintetiza este sucesso na “fórmula: precisão alemã + habilidade brasileira. Vamos tentar entender como isto foi possível, embarcando na História do YCSA, feita de sonhos, realização de opções, planejamento, risco, ousadia, empreendimento, força, persistência e, muitas transições. Uma viagem pela Vida que não é precisa (3).

1930 – 1945: no final dos anos 20, imigrantes alemães que haviam construído casas de final de semana às margens da represa, não tiveram cerimônia em invadir com seus barcos uma regata do Sailing Club fundado em 1917 pela comunidade britânica. Os ingleses incomodados, disseram que se quisessem competir, teriam que fundar o seu próprio clube.

O desafio estava feito e no dia 8 de agosto 1930 fundaram o DSC Deutscher Segel-club ou, Clube Alemão de vela. Alguns meses após sua fundação, o DSC obteve um empréstimo de 10 contos de réis da Cervejaria Brahma para a construção de um pequeno chalé e um bar. Pelo acordo firmado, a Brahma ganhou exclusividade para a venda de bebidas no clube, o que veio a ser um bom negócio para o patrocinador, levando em consideração a quantidade de cerveja, chope e refrigerantes consumidos nos primeiros anos pelos sócios. Os documentos guardados da época, comprovam esta afirmativa.

registro das vendas
Fonte: “Soprando as velas” 1

Em 1932, já com 82 sócios e 19 veleiros, seis barcos a motor e oito a remo, o DSC entrou em competições contra outros clubes da represa – o Sailing Club, o recém fundado Yacht Club Paulista e a partir de 1935, o Yacht Club Itália, atual Yacht Club Itaupu.

A decisão histórica: no final da década de 30, durante o Estado Novo, foi editada a Lei nº 383, que separava as associações brasileiras das estrangeiras e, não permitia que brasileiros se associassem a clubes estrangeiros.

Em 1938 convocou-se uma assembleia para definir se o clube seria uma associação estrangeira ou brasileira. Se o registro no Ministério da Justiça fosse de associação estrangeira, todos os brasileiros teriam que deixar o DSC. Emil Heininger um dos mais antigos sócios presentes na assembleia, defendeu a nacionalização, para não perder associados e manter todos unidos, deixando caminho aberto para o crescimento do clube. Heininger terminou seu discurso dizendo que era uma obrigação trabalhar para garantir aos descendentes alemães, um lugar na sociedade brasileira. Ficou decidido que o DSC iria se tornar uma associação brasileira. A diretoria renunciou e por unanimidade os participantes da assembleia elegeram Heininger novo presidente, permanecendo no cargo até 1942. Seu primeiro ato foi convocar no mesmo dia uma outra assembleia para rebatizar o clube. Entre sugestões como Yacht Club Germânico, Yacht Club Guarapiranga e, Yacht Club Santo Amaro, venceu a última, fazendo-se as devidas alterações no antigo estatuto. Manteve-se a mesma flâmula tradicional do DSC, triângulo branco, contornado por listas pretas, brancas e vermelhas, e a cruz hanseática vermelha no centro.

flâmulas do clube
Fonte: “Soprando as velas” 1

A “Liga Hanseática” foi uma federação de cidades alemãs de forte atividade comercial marítima que, remonta ao século XII ii.

Em 1939, nova lei restritiva é promulgada, determinando que todas as diretorias de entidades esportivas tinham que ser compostas por brasileiros natos ou naturalizados e os clubes não poderiam ter mais do que 1/3 de estrangeiros em seus quadros.

Em 1942 mais restrições. Uma nova portaria governamental determinava que naturalizados não mais poderiam ocupar cargos de direção nos clubes.

Conforme a guerra chegava mais próxima do Brasil, aumentava a vigilância sobre o YCSA. Em outubro de 1942, quando submarinos alemães começaram a torpedear navios na costa brasileira, o delegado do Deesp Reinaldo Bulcão Giudice, foi nomeado interventor e a diretoria destituída. A pedido de Giudice, todos os outros diretores permaneceram em suas funções. Foi fixado no clube o aviso: “Em virtude do estado de beligerância, por ordem da diretoria, fica suspensa a frequência de sócios originário de países com quem o Brasil se acha em Guerra” . A intervenção durou apenas dois meses e foi convocada uma assembleia para devolver a direção do clube aos sócios, com a eleição de um Comodoro. Em 1943 foi permitido que sócios de nacionalidade alemã voltassem a frequentar o clube. Esta equipe de administradores com muito empenho e habilidade diplomática, conseguiu evitar que a guerra transformasse o YCSA em mais uma de suas baixas. Durante a segunda guerra, foi novamente necessário unir alemães e brasileiros dentro do clube. Carl Biekarck teve atuação proeminente neste difícil período.

No final da temporada de 1944 o clube foi o 1º colocado na classificação geral de 88 regatas e, começava a se tornar conhecido em todo o Brasil. Em 1945, as delegações da Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, se hospedaram no YCSA para o 1º Campeonato Brasileiro de Vela.

1945 – 1960: a guerra na Europa havia terminado e o mundo voltou o olhar para o futuro com esperança. No YCSA, não foi diferente. Os ventos na Represa de Guarapiranga, começaram a soprar favoravelmente para os velejadores. Iniciava a era de progresso e sucesso. Os velejadores disputavam as regatas em seis classes: Iole Olímpica; Sharpie 12 Metros; 15 Metros; 20 Metros; Sea Gull e a Classe H. Em 1945, Peter Mangels venceu na represa, o II Campeonato Brasileiro de Iole Olímpica. No ano seguinte, o YCSA despontava como grande expoente no iatismo brasileiro, posição que desde então jamais deixou de ocupar. No final de 1946, após disputar 42 provas, o YCSA terminou em primeiro lugar na classificação geral e, os três primeiros colocados individuais eram velejadores do clube. Seus velejadores, despontavam em todas as classes. Um exemplo foi Putz Richter, primeiro velejador do clube a disputar uma competição internacional. Sempre velejou no Sharpie, mas também corria de Iole Olímpica e 20 metros . Além disso, foi campeão brasileiro de Snipes em 1947. Passou para o Lightning quando em 1952 ganhou o Campeonato brasileiro e adotou o Flying Dutchman em 1956. Ao todo, Putz disputou provas em pelo menos 10 classes, incluindo três olimpíadas com três tipos de barcos: Firefly, Dragon e Flying Dutchman. A versatilidade dos velejadores do YCSA continuou fazendo a diferença. Haviam incentivadores do iatismo, como os irmãos Lothario e Julio Lienert. Seus alunos informais, tratados como filhos, deram início a extensa linhagem de velejadores campeões que surgiram no clube.

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Fonte: <http://ycsa.com.br/fotos.php>

A posse definitiva: em 1953, foi eleito Comodoro Ernesto Conrad, que dirigiu o YCSA até 1961. Foi um período de grande desenvolvimento. A Empresa Light decidiu vender áreas que possuía em volta da represa de Guarapiranga e o YCSA adquiriu um total de 19.300 m², minguem mais poderia tomar dos sócios, a sua sede.

No início de 1954, para comemorar o quarto centenário de fundação da cidade de São Paulo, o YCSA organizou a I Grande Regata da represa, com a participação de velejadores de sete estados e novamente os jovens velejadores do YCSA despontaram nas classes Sharpie vencida por Fernando Costa Melchert e na Iole Olímpica com Joaquim Roderbourg que terminou em segundo.

Flying Duchman, a Classe Voadora: criado em 1951, era um barco de alta performance para os lagos europeus. Rapidamente criou fama internacional, tornando-se Classe olímpica a partir de 1960. Foi o barco que deu ao Brasil e aos velejadores do YCSA, a primeira medalha olímpica, com Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes, no México em 1968. Em meados dos anos 50, começou a construção do primeiro Flying Dutchman nacional, o veleiro mais rápido visto até então no Brasil, com uma técnica de construção inédita, o laminado moldado. A Classe se tornaria em poucos anos, uma das mais disputadas pelos sócios, trazendo muitos títulos nacionais e internacionais.

Jogos olímpicos de 1972
Jogos Olímpicos 1972, Kiel Alemanha Reinaldo Conrad e Bukhard Cordes no FD. Fonte: “Soprando as velas” 1

Primeiro título internacional: no final do anos 50, uma das classes mais concorridas era o Sharpie 12 Metros (para dois tripulantes), com uma flotilha de 25 barcos na Guarapiranga. Em 1957, Ernesto Reibel promoveu a criação da Associação da Classe Sharpie e lançou a ideia de levar três velejadores e seus barcos para a semana Internacional de Kiel na Alemanha que, aconteceu em junho deste ano. Os três participaram do evento com proeiros alemães. Costa Melchert venceu, conquistando o primeiro título internacional do YCSA, Reibel terminou em terceiro e Morais Barros, ficou em quinto lugar.

Em 1958 foi acrescida ao cenário do YCSA o hangar de arcos de madeira, proporcionando aos velejadores o conforto de guardar os barcos em área coberta sem a necessidade de tirar o mastro.

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Fonte: <http://ycsa.com.br/fotos.php>

Em 1959, o YCSA se tornou forte concorrente na Classe Snipe, dominando até os anos 70 os campeonatos no Brasil. Com ela despontava mais um jovem campeão, Reinaldo Conrad. Com 17 anos foi selecionado para disputar os Jogos Pan-americanos no Lago Michigan em Chicago – EUA. Venceu com seu proeiro Marcos Moraes Bastos, as eliminatórias no Rio de Janeiro e com barco alugado, voltaram com a primeira medalha de ouro dos velejadores do YCSA.

Reinaldo Conrad e Marcos Moraes Barros Chicago 1959
Fonte: “Soprando as velas” 1

1960-1970: após 30 anos de existência, o YCSA se firmava como um clube de vela organizado e vencedor, onde nasciam vários dos mais talentosos iatistas do Brasil. Um padrão que garantiria inúmeras vitórias nacionais e internacionais. Os anos 60, foram também de grande prosperidade em terra. Escolhido para sediar o iatismo dos Jogos Pan-americanos de 1963, o Clube começou a se preparar para o maior evento esportivo já realizado na cidade de São Paulo. Esta participação, trouxe muitas melhorias para a sede do YCSA. Entre as principais, destacam-se a construção da piscina, novos vestiários, banheiros, alojamentos para 60 iatistas e a dragagem do canal de acesso ao hangar de veleiros, pois durante os meses de seca em São Paulo (justamente quando os jogos seriam realizados), baixa o nível da represa, dificultando o acesso dos barcos a água. As obras custaram caro, mas entrou em cena um sistema de cooperação coletiva. Os sócios doaram material elétrico, cerâmicas, tijolos, telhas, madeiras azulejos. Como resultado, o Clube precisou desembolsar apenas 1/3 do valor real necessário para realizar as melhorias. A construção do canal de acesso ao hangar, foi o capítulo mais complicado do conjunto de obras. A operação para trazer uma draga que operava no Rio Tietê atravessando a cidade, durou três dias, cortando centenas de cabos elétricos e telefônicos, acabou se traduzindo numa verdadeira operação de guerra. Tal façanha só foi possível graças a ajuda do Major Padilha junto ao governo estadual. Ele já era sócio-honorário do Clube e também membro do Comitê Olímpico. A terra retirada foi colocada ao lado, formando uma península gramada.

Fonte: “Soprando as velas” 1

O pequeno grande barco: durante os anos 60 e 70 o Pinguim foi uma verdadeira escola de vela para boa parcela dos melhores iatistas do país. O barco foi projetado nos anos 30 pelo americano Philip L. Rodes, para rápidas velejadas durante o rigoroso inverno na América do Norte.

Originalmente criado para adultos, tornou-se uma excelente ferramenta para jovens aprenderem a velejar. Os primeiros começaram a ser construídos em 1954 no Estaleiro Guarapiranga de Florio Zotarelli. Barco para dois tripulantes, logo atraiu a atenção dos mais jovens. Seria a bordo do Pinguim que, iniciariam outras gerações de velejadores do YCSA. O proeiro era geralmente o mais novo. Nessa função, as crianças podiam aprender a velejar desde a infância e os timoneiros maiores, eram seus professores. Surgiu no YCSA uma série de tripulações formadas por irmãos. Reinaldo e Ralph Conrad costumavam velejar juntos de Pinguim. O número de pinguinistas aumentava. Não levou muito tempo para que velejadores do YCSA, começassem a colecionar títulos também na Classe Pinguim.

Na metade da década de 60, o YCSA era o maior clube da Guarapiranga, com 163 barcos registrados, o que representava 50% de toda a flotilha da na represa e boa parte dessa verdadeira esquadra, era formada por Pinguins. Outras flotilhas foram surgindo em diversos clubes brasileiros e, os campeonatos paulistas, brasileiros, sul-americanos da classe, ficavam cada vez mais disputados. Com apoio das famílias, os pinguinistas do clube conquistaram diversos títulos nacionais e sul-americanos. Em 1965, foi conquistado o primeiro de muitos campeonatos mundiais, vencidos por velejadores do YCSA. Peter Bieckarck e Bermhard Brunkhorst, venceram o Mundial de Pinguins, em águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Os Pinguins continuaram a se multiplicar e em 1967 atingiu-se a marca de 55 barcos no clube. Para as crianças do clube, os Pinguins eram o melhor que a vida poderia lhes dar.

Philip Dodes
Philip L. Rhodes, MA. (1895 – 1974) Designer of the Penguin Class Dinghy
Foto da coleção de Dan Rhodes (seu neto).
<https://astro.temple.edu/~bstavis/pr/rhodes-bio.htm>

Durante as férias, as mães organizavam semanas de vela para seus filhos. Elas mesmas marcavam as raias com ajuda do barqueiro. Errando e aprendendo, com o livro de regras na mão, as mães queriam dar aos filhos uma atividade alegre e saudável, na qual aprendessem a conviver com vitórias, derrotas, medos, injustiças e tudo o mais que a vida com certeza, iria lhes trazer. Vencer era ótimo, não o principal objetivo. Os jovens saiam para treinar ou participar de regatas pela manhã e só voltavam no final da tarde. Graças a essa dedicação e entusiasmo, muitas conquistas em diversas classes, ainda estavam por vir. A história iria provar que com este apoio, estavam ajudando a formar futuros campeões. Muitos dos renomados velejadores do YCSA começaram a traçar suas vitoriosas trajetórias no Pinguim. É o caso de Reinaldo Conrad, primeiro medalhista olímpico da vela brasileira; Alex Welter, medalha de ouro na Olimpíada de Moscou, Cláudio Biekarck , o mais laureado atleta do YCSA em jogos Pan-americanos.

international penguin
IPCDA Internationals 2006

Pan-americano de 1963: os velejadores do clube deram um show. Ganharam três medalhas de ouro, nas três classes de barco que estavam sediadas no clube. No Snipe ficaram em primeiro lugar os irmãos Reinaldo e Ralph Conrad, repetindo o bom entrosamento desde os tempos do Pinguim, conquistando na Represa de Guarapiranga, sua segunda medalha de ouro pan-americana. Joaquim Roderbourg e seu proeiro Klaus Hendricksen no Flying Dutchman e a terceira medalha veio com Hans H. Domschke na Classe Finn.

A participação constante em jogos Pan-americanos e Olímpicos animou nos anos 60 os iatistas do YCSA a irem velejar cada vez mais longe, em diversas competições internacionais. Muitos viajavam por conta própria para disputar campeonatos europeus, norte americanos e mundiais, o que era raro nos anos anteriores.

O Iatismo nos Jogos Olímpicos, a estreia do Brasil e nossa primeira medalha:

a vela tornou-se esporte olímpico nos Jogos de Paris-1900, com apenas três classes de barcos. Desde então, fez parte de todas as edições, com exceção dos Jogos Olímpicos de St. Louis, em 1904.

Os brasileiros estrearam Jogos Olímpicos de Londres em 1948, mas nossa primeira medalha só veio nos Jogos do México, em 1968. Reinaldo Conrad com Burkhard Cordes conquistaram em 1967 a medalha de prata nos jogos Pan-americanos de Winnipeg no Canadá. No ano seguinte, nas raias de Acapulco na Olimpíada do México, lograram um feito inédito, trazendo a primeira medalha olímpica do iatismo para o Brasil (de bronze). O Brasil conquistou medalhas nas seguintes classes olímpicas: Flying Dutchman, 470, Soling, Star, Tornado, Laser e 49erFX. Ao longo dos anos, estas classes vão sendo substituídas, conforme as tendências. O Flying Dutchman, Soling e Star já não competem nas olimpíadas.

Em 1969 os velejadores do YCSA partiram para o Campeonato Mundial de Pinguins realizado em Olivos na Argentina, a bordo do Bracuí – navio de guerra da Marinha do Brasil. O transporte dos velejadores e seus barcos foi conseguido graças a influência do Almirante Dantas Torres, então presidente da CBVM – Confederação Brasileira de Vela e Motor. O entusiasmo dos pinguinistas durante a viagem de quatro dias a bordo de um navio de guerra era o maior possível. A única preocupação, era que os barcos amarrados no convés sofressem algum dano provocado por ondas no mar aberto. Mas tudo correu bem e Claudio Biekarck e Georg Ehrensperger venceram o Campeonato Mundial, dando início a uma hegemonia de velejadores do clube nessa competição que perdurou entre os anos de 1970 a 1976. Para Claudio, este primeiro título internacional marcou o começo de uma trajetória vitoriosa em outras classes, nas próximas duas décadas. Uma nova geração do YCSA estava pronta para novas conquistas.

Claus Olimpíada de 1972
Claudio Biekarck nos Jogos Olímpicos de 1972 em Munique, na então Alemanha Ocidental, competindo na Clsase Finn.

1970 – 1980: a década que o clube completava 40 anos, foi de grandes feitos na infraestrutura, com asfaltamento da rua de acesso Edson Régis, melhoria no fornecimento de energia e água mas principalmente, com mais vitórias no Brasil e exterior e, a conquista de mais uma medalha olímpica. Nos jogos Pan-americanos de Cartagena na Colômbia (1971) velejadores do YCSA ganham na Classe Snipe com a dupla João Pedro Reinhard / Ralph Christian e no Lightning, com Mário Buckup, Manfred von Schaaffhausen e Peter Ficker. Ainda em 1971 a dupla João Pedro Reinhard e Ralph Conrad conquistou o vice-campeonato Mundial de Snipes no Rio de Janeiro. Também em 1971, pela terceira vez, o Campeonato Mundial de Pinguins foi vencido por Alex Welter e Joaquim Doeding – o mesmo Welter que nove anos mais tarde conseguia uma histórica medalha de ouro olímpica para o Brasil. Funcionando como uma verdadeira fábrica de velejadores, o Pinguim continuava rendendo outros títulos internacionais, dominando a Classe na primeira metade dos anos 70, para depois seguirem vencendo em outras categorias de barcos. Foi uma sequência quase ininterrupta até 1976 quando Erika Lessmann e Patricia Dietrich venceram o mundial em Olivos na Argentina. Na olimpíada de 1972, apesar de não trazerem nenhuma medalha, o Brasil terminou em segundo lugar na pontuação geral de todas as classes, atrás da Suécia.

Em 1972 foi lançada a Classe Optmist no clube, permitindo que crianças de oito anos aprendessem a timonear e competir. O maior expoente nascido nesta Classe foi o Robert Scheidt. Nascia um dedicado velejador que em alguns anos, se tornaria mundialmente, o mais vitorioso iatista do Laser. Aos poucos, o Optmist tornava-se uma verdadeira febre no YCSA e em outros clubes do Brasil.

Optmists YCSA
Fonte: “Soprando as velas” 1

Em 1975 a dupla Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes ganharam a medalha de ouro na Classe Flying Dutchman nos Jogos Pan-americanos do México e Claudio Biekarck a medalha de prata no Finn.

Brasil conquista sua 2ª medalha olímpica em 1976: na Olimpíada de Montreal – Canadá, com as regatas realizadas no Lago Ontário na cidade de Kingston, a dupla Reinaldo Conrad e Peter Ficker conquistou a segunda medalha olímpica na história da vela brasileira com um terceiro lugar – medalha de bronze – na Classe Flyng Dutchman. Neste jogos, toda a comissão técnica da equipe brasileira de vela, foi formada por integrantes do YCSA.

1980 – 1990: no ano que marca meio século de existência do YCSA Alexandre Welter e Lars Bjorkstrom, ganham a medalha de ouro da Classe Tornado na Olimpíada de Moscou, velejando nas águas da cidade de Tallinn, na antiga União Soviética. Pela primeira vez, o iatismo brasileiro ganhava uma medalha de ouro numa olimpíada. Marcos Soares e Eduardo Penido do Iate Clube do Rio de Janeiro, ganharam o ouro na Classe 470. Dos 12 velejadores brasileiros que foram à União Soviética em 1980 para competir em seis categorias, cinco eram do YCSA. O clube ia se tornando um dos maiores polos de iatismo do país. Ainda em 1980 foi sede do Campeonato brasileiro das Classes Soling e Lightning.

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Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015, o Brasil conquistou mais uma medalha de bronze na classe Lightining com o trio Claudio Biekarck, Gunnar Ficker e Maria Hackerott. Foto de Bruno Miani/Inovafot

 Em 1982, Carlos Henrique Wanderley e Thomas Scheidt venceram o Campeonato Mundial de Pinguim.

Em 1983, Claudio Biekarck, com Gunnar Ficker e Ralph Berger ganharam os Jogos Pan-americanos de Lightning em Caracas na Venezuela e a dupla Peter Ficker e Werner Sonksen, levou a medalha de prata na Classe Star.

Em 1985, com 11 anos Robert Scheidt venceu no Chile, o Campeonato Sul-Americano Infantil de Optimist. No final dos anos 80, passou a velejar na Classe Laser.

Em 1987 Claudio Biekarck com Gunnar Ficker e Carlos Eduardo Wanderley fincaram em terceiro no Pan-Americano de Lightning em Indianápolis nos Estados Unidos.

1990 – 2000:

Em 1991, Robert Scheidt ganha na Classe Laser, o Campeonato Mundial Júnior. Nos Jogos Pan-americanos deste ano em Havana, Mar do Caribe – Cuba, os iatistas brasileiros conquistaram de uma só vez oito medalhas, sendo quatro por velejadores do YCSA. Marion Scheel ganhou bronze no Laser, Claudia Swan e Monica Scheel ganharam prata na Classe 470, Eduardo Melchert e Bernardo Arndt, prata no 470 masculino e Claudio Biekarck, Gunnar Ficker, Marcelo Silva, o bronze no Lightning.

1991 – Nos jogos Pan-americanos de Havana, as irmãs Scheel conquistam as primeiras medalhas feminina para o clube. Marion Scheel o bronze na Classe Laser e Mônica Scheel com Claudia Swan, a prata na Classe 470. No masculino, Dudu Melchert e Bernardo Arndt trazem a medalha de prata na 470. Cláudio Biekarck, Gunnar Ficker e Marcelo Silva trazem o bronze na Lightning. Robert Scheidt torna-se campeão mundial júnior na Classe Laser.

1992 – Cláudio Biekarck, Gunnar Ficker e Marcelo Silva conquistam o bronze no Campeonato Mundial de Lightning.

1994 – Foi criado o Fundo de Vela que, possibilitou o YCSA figurar mais vezes nas súmulas de campeonatos internacionais.

Robert Scheidt no Laser 2O iatista Robert Scheidt conquista medalha de ouro no final da regata de vela classe laser, nas águas do Mar Mediterrâneo, em Atenas JONNE RORIZ/AE 1973

Em 1995 – Robert Scheidt conquista o Mundial da Classe Laser e, a medalha de ouro no Pan-americano em Mar del Plata, Argentina. Na Classe Lightning, no mesmo evento, o trio Claudio Bieckerck, Gunnar Ficker e Marcelo Silva, trazem a medalha de prata.

1996 – Robert Scheidt conquista a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta e o mundial da Classe Laser.

1997 – Robert Scheidt é campeão mundial na Classe Laser. Alexandre Welter assume a comodoria do clube. São construídos o playground em forma de caravela e a quadra poliesportiva.

1998 – Robert Scheidt é vice-campeão mundial na Classe Laser. Uma equipe do YCSA conquista o Campeonato Brasileiro de Oceano com o veleiro Curupira de Marc Essle, tripulado por Ralph Christian, Mario Zaschke, Marcelo Jordão e Carlos Biekarck.

1999 – Robert Scheidt conquista o ouro no Pan-americano de Winnipeg, no Canadá. Patrícia Kirschner e Cláudio Cardoso ganham a prata na Hobie Cat 16 e Cláudio Biekarck, Gunnar Ficker e Marcelo Silva trazem a medalha de prata na Lightning.

HobieCat16
Fonte: <http://www.abchc.com.br/hobie-cat/hobie-cat-16-barco>

Desde a fundação do YCSA, a arte de velejar é levada à sério pelos sócios, passada de pais para filhos e de timoneiros experientes para aqueles que estão iniciando, como tripulantes e/ou proeiros. Famílias também se dedicaram a este ideal. Entrementes, consolida-se na década de 90, uma novidade: o conceito da escola “formal” de vela. Em vez dos jovens novatos aprenderem a velejar como tripulantes junto aos timoneiros e/ou veteranos, passam a ser iniciados no Optimist (barco individual), com a orientação externa de treinadores que, acompanham as práticas numa embarcação de apoio. Dos alunos que tiveram este tipo de iniciação/formação, o maior destaque vai para Robert Scheidt, que oportunamente passou para o Laser, outro barco concebido para velejar solitário e que veio a ser a opção de Classe para aqueles que gostariam continuar no esporte da vela, após a idade limite no Optmist, de 15 anos. O Laser vem sendo também usado, para iniciação de adultos. Nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), Claudio BIeckarck, já era o técnico de Robert Scheidt.

Os velejadores do YCSA deram também significativas contribuições em regatas de Oceano, como Carlos Alberto Wanderley que participou da tripulação vencedora da regata Solent, na Inglaterra no barco Saga e também, numa Buenos Aires-Rio de 1977, no Wawatoo. Em 1998, formaram uma tripulação completa de Oceano e venceram o Campeonato Brasileiro no veleiro Curupira de Marc Essle, tripulado por Ralph Christian, Mario Zaschke, Marcelo Jordão e Carlos Biekarck.

Wawatoo<http://innersurf.blogspot.com/2011/11/definidos-os-vencedores-da-vi-regata-de.html>

Em 2000, Robert Scheidt conquista o tetracampeonato mundial de Laser,

virando o milênio com 33 títulos nacionais e 33 internacionais.

2001/02/03/04 – Robert Scheidt torna-se campeão mundial na Classe Laser. Sem sombra de dúvida, uma trajetória ímpar!

Ernesto Reibel observa que a experiência de veteranos e o talento dos jovens aprendizes, são qualidades que se atraem, complementando-se. Este modelo, foi magistralmente bem aplicado no YCSA. Em retrospectiva, desde 1948, com 19 olimpíadas disputadas, o clube conquistou 4 medalhas, sendo 2 de ouro e 2 de bronze. Em 11 jogos Pan-americanos desde 1959, os velejadores do YCSA trouxeram para o Brasil 22 medalhas (11 de ouro, 8 de prata e 3 de bronze), em 7 categorias diferentes. Some-se a isso, inúmeros títulos nacionais e internacionais, incluindo dezenas de mundiais em diversas classes. Essas conquistas abrilhantam sobremaneira a História do Clube.

Sobre a formação de “velejadores de ponta’’: Reinaldo Conrad tece algumas reflexões em seu depoimento no vídeo A origem do iatismo vencedor (2), as quais nos ajudarão a entender melhor a singular história do YCSA, esta verdadeira “fábrica de campeões”.

Reinaldo indaga: 1- Qual é a principal motivação do velejador de ponta”, daquele que tem um diferencial? E responde: vem dum sentimento interior, da necessidade do contato com a água, com o vento, com a natureza e esta vivência, naturalmente se traduz num bem estar especial. O contato direto com o vento, com a água, o mar, traz uma sensação de liberdade, de Paz. E conclui, o vento, a brisa no rosto, significam a Paz. Sentir o vento é portanto fundamental. Brincar na água, participar das regatas, ser competitivo, dar o melhor de si, formam uma postura que retroalimenta de forma contínua, a “motivação original. Esta motivação, não tem origem no barco ou na vela. É o menino ou menina que faz da água a sua parceira e, se completa nesta interação. Ser feliz velejando, tirar o máximo do vento. Estes são em suma, os ingredientes para formar um velejador competitivo. Se isto trouxer uma medalha, ótimo;

2- Como se chega neste ponto? É algo que nasceu com o indivíduo ou é gerado, fabricado e desenvolvido? As duas vertentes são necessárias. Deve ter nascido com aquelas aptidões e, ter tido a oportunidade de desenvolvê-las. É como uma semente que precisa ser regada, cuidada para fazê-la germinar, desabrochar e, chegar ao seu ápice: uma medalha olímpica, no caso. Na convivência com o pessoal mais velho e, observando as suas conversas, absorvia o saber destes velejadores mais experientes e, a paixão pela água e o vento, crescia, desenvolvia, desabrochava. Neste ponto, surge um outro elemento fundamental: estar disposto a experimentar, criar a partir destas informações, testar permanentemente novas ideias. O atleta com estas aptidões, tem um diferencial em relação aos demais e o YCSA soube exemplarmente, identificar estas “sementes” especiais e lhes dar o melhor tratamento.

Podemos agora, complementar a “fórmula inicial” (precisão alemã + habilidade brasileira), com uma “equação” mais complexa: a primeira consideração é o vento […] a segunda é o tipo de superfície que você vai encontrar: lago, rio, mar, com suas correntezas, verdadeiras “avenidas”, onde não se deve andar na contramão […] Por sua vez, o barco tem três grandes elementos: casco, vela e mastro. Este último, transfere a energia do vento captada pelo velame para o casco, impulsionando-o para frente através das ondas e correntes. O barco deve ser a continuidade do corpo ou vice versa, num entrosamento perfeito, beirando o automático. É uma grande e complexa estrutura e para integrar os seus vários componentes, todos os sentidos serão usados e, precisam estar afinados: é a sensibilidade literalmente “à flor da pele” …. Com estas variáveis e os regulamentos existentes, é necessário criar algo que não foi experimentado, gerar a máquina mais rápida para as condições da competição. Se fizer exatamente o que os outros fazem, será no máximo igual a eles e, dificilmente conseguirá superar seus concorrentes.

Ernesto Reibel sintetiza numa frase, a história do clube: “não se trata apenas de uma lenda de velejadores campeões, mas a trajetória de uma associação bem-sucedida em formar uma juventude sadia. Essa é a maior vitória do Yacht Club Santo Amaro em seus 88 anos de existência”.

Novas gerações de velejadores continuam surgindo dos ventos que sopram sobre as águas da represa de Guarapiranga.

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Robert Scheidt e Bruno Prada no Star. Olimpíada de Londres 2012 Créditos da imagem: Criador – William West; Crédito – AFP

Considerações Finais – de olho no cenário nacional e global:

Observa-se que em âmbito nacional, uma luz amarela acendeu nas Olimpíadas de 2012. A vela brasileira que vinha na liderança das medalhas olímpicas, perde nesta edição, a hegemonia em número absoluto de medalhas para o Vôlei e o Judô. O que estará ocorrendo?

É oportuno verificar se o modelo adotado para renovação da vela no Brasil, não precisa de novos ares. Pergunta-se: o barco individual vem conseguindo manter o ritmo de renovação que se obtinha com os barcos coletivos que, predominaram até o final da década de 70, quando gradativamente foram sendo substituídos por barcos solitários? Na olimpíada de 2012, a geração formada na “equação” identificada por Reinaldo e no caso da História do YCSA, combinada com a “fórmula” do Reibel, já ultrapassava o limite etário para os barcos que começavam a ser usados nas competições denominadas de alto rendimento, verdadeiras barras de ginástica para malabaristas circenses. Até então o YCSA (nossa referência neste artigo), soube fazer o melhor uso da “fórmula” com a “equação”. Entretanto, à partir dos anos 70, este conjunto de certa maneira vai sendo descaracterizado, perdendo o seu alcance. Nos barcos individuais, a referência do veterano, do mais velho e experiente, já não funcionava mais embarcado mas como um apêndice, acompanha o pequeno barco de fora, não mais como parte deste “circuito fechado”. O conceito do barco prolongamento do corpo e vice-versa, não se aplica ao instrutor, neste modelo que veio prevalecer. Em outra embarcação, ele não é peça constitutiva daquele conjunto “original”. A complexa equação e, de certa forma sua magia, foi desta forma rompida: a experiência a bordo com os veteranos, os “professores”, a dinâmica especial que surgia desta vivência, deixou de existir. E desta forma velejando sozinho, é que os iniciantes são agora na sua maioria, introduzidos na vela. Este fator talvez seja o que mais pesa. Vai contra um fundamento natural, a característica gregária do ser humano iii. Poucos conseguem enfrentar tão vasta empreitada individualmente: “do um contra os outros, mais as regras, a equação, com o barco, o vento, o mar […]”, principalmente na faixa dos 8 aos 15 anos, período de formação e sobretudo à mercê duma enorme cobrança montada em volta da criança e do jovem. Desta forma, talvez estejamos descartando uma boa parte das sementes que poderiam germinar em terra fértil, exatamente no ponto de partida.

As primeiras gerações formadas na escola coletiva, que na sua maioria continuavam trazendo medalhas para o Brasil, alguns beirando e ultrapassando a faixa dos 70 anos, estão naturalmente se aposentando.

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Fonte: <http://ycsa.com.br/fotos.php>

88 anos de tradição e vitórias

Campeonatos Mundiais

Classe Pinguim:

  • Peter Biekarck e Bernhard Brunkhorst – 1º lugar em Niteroi 1965
  • Claudio Biekarck e George Ehrensperger – 1º lugar em Olivos 1970
  • Alex Welter e Joachim Doeding – 1º lugar em Babilon 1971
  • Gunar Ficker e Joachim Doeding – 1º lugar em Denver 1972
  • Claudio Kunze e Michael Norris – 1º lugar em Niterói 1973
  • Sergio Montag e Paulo C. O. Rodriguez – 1º lugar em Mattituck 1974
  • Sergio Montag e Paulo C. O. Rodriguez – 1º lugar em Chicago 1975
  • Erika Lessmann e Stella Barella – 1º lugar em Chicago 1975
  • Erika Lessmann e Patrícia Dietrich – 1º lugar em Olivos 1976
  • Carlos Henrique Wanderley e Thomas Scheidt – 1º lugar em São Paulo 1982 e 1983

    Classe Laser:

  • Robert Scheidt – ouro em Tenerife 1995, Cape Town 1996, Algarrobo 1997, Cancun 2000, Cork 2001, Cape Cod 2002, Bodrun 2004 e Fortaleza 2005.

    Classe Star:

  • Robert Scheidt – ouro em Cascais 2007

    Classe 420:

  • Isabel Ficker e Laura P. Zanni – ouro em Haylands 2004 e bronze em Portugal 2001

Jogos Pan-americanos

  • Reinaldo Conrad – Classe Snipe ouro em Chicago 1959, ouro em São Paulo 1963 e ouro no México1975 na Classe Flying Dutchman.
  • Hans Domschke – Classe Finn ouro em São Paulo 1963
  • Joaquim Roderbourg – Classe Flying Dutchman – ouro em São Paulo 1963
  • Klaus Hendriksen – Classe Flying Dutchman – ouro em São Paulo 1963
  • Claudio Biekarck – Classe Lightning – ouro em Caracas 1983 prata no México em 1975, Mar Del Plata 1995 e Winnipeg 1999 bronze em Indianápolis 1987, Havana 1991 e Rio 2007
  • Peter Ficker e Werner Sonksen – Classe Star prata em Caracas 1983
  • Gunar Ficker – Classe Lightning ouro em Caracas 1983, bronze em Indianápolis 1987, prata em Mar Del Plata 1995 e Winnipeg 1999 e bronze em Havana 1991 e Rio 2007
  • Carlos Eduardo Wanderley – Classe Lightning bronze em Indianápolis 1987
  • Eduardo Melchert e Bernardo Arndt – Classe 470 prata em Havana 1991
  • Monica Scheel e Claudia Swan – Classe 470 prata em Havana 1991
  • Marion Scheel – Classe Laser bronze em Havana 1991
  • Patricia Kirschner e Claudio Cardoso – Classe HC16 prata em Winnipeg 1999
  • Marcelo Batista da Silva – Classe Lightning prata em Mar Del Plata 1995 e Winnipeg1999 e bronze em Havana 1991 e no Rio 2007
  • Robert Scheidt – Calasse Laser – ouro em Mar Del Plata 1995, ouro em Winnipeg 1999 e ouro em Sto. Domingo 2003

Jogos Olímpicos

  • Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes– bronze no México 1968
  • Reinaldo Conrad e Peter Ficker – bronze em Montreal 1976
  • Alex Welter e Lars Björkström – ouro em Moscou 1980
  • Robert Scheidt – Classe Laser ouro em Atlanta 1996 e Atenas 2004 e prata em Sidney 2000
  • Robert Scheidt e Bruno Prada – prata na Classe Star em Beijing 2008

“A razão e a paixão são o timão e a vela, de nossa alma navegante.” Kahlil Gibram (7)

foto final
Fonte: <http://ycsa.com.br/fotos.php>

Esportes com mais medalhas de Ouro Olímpico no Brasil:

1- Volei – 8 Ouro

2 – Vela – 7 Ouro

3 – Atletismo – 5 Ouro

4 – Judô – 4 Ouro

Na Olimpíada de 2012, o Brasil perde a hegemonia de medalhas para o vôlei e judô.

Referências:

Ernesto Reibel
Fonte: “Soprando as velas” 1

1- Soprando as Velas YCSA – 70 anos, Yacht Club Santo Amaro 1930 – 2000 – Ernesto Reibel (principal fonte de pesquisa, donde muitos trechos foram extraídos)

2- Reinaldo Conrad: a origem do iatismo vencedor Memória do Esporte Olímpico Brasileiro <https://www.rumar.org.br/videos/> e <http://tvbrasil.ebc.com.br/memoriadoesporteolimpicobrasileiro/episodio/reinaldo-conrad-a-origem-do-iatismo-vencedor>

3- http://www.uc.pt/navegar/

4- https://www.torcedores.com/noticias/2016/07/olimpiadas-os-5-esportes-que-mais-conquistaram-medalhas-para-o-brasil

5- https://www.nexojornal.com.br/grafico/2016/08/22/As-medalhas-do-Brasil-por-esporte.-E-um-ranking-proporcional

6- http://universodahistoria.blogspot.com/2010/11/liga-hanseatica.html

7- http://www.ycsa.com.br/

8- https://pt.wikipedia.org/wiki/Vela_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012#Medalhistas

9- https://www.guiadasemana.com.br/esportes/galeria/conheca-todos-os-medalhistas-brasileiros-de-vela-nas-olimpiadas

10- https://marsemfim.com.br/os-polinesios-e-grandes-navegacoes/

11- https://marsemfim.com.br/projeto-vaka-taumako-5set13/

12- https://es.wikipedia.org/wiki/Regata_Buenos_Aires_-_R%C3%ADo_de_Janeiro

i

No século I a.c., o general romano Pompeu, encorajava marinheiros receosos, inaugurando a frase “Navigare necesse, vivere non est necesse.”

Corria o século XIV e o poeta italiano Petrarca transformava a expressão para “Navegar é preciso, viver não é preciso.”

“Quero para mim o espírito dessa frase”, escreveu depois Fernando Pessoa, confinando o seu sentido de vida à criação.

Navegar é preciso?

Sim! Navegar é uma viagem exata. Fazia-se com bússolas e astrolábios. Hoje, faz-se com satélites, GPS’ e www’s.

Viver não é preciso?

Não! É uma viagem feita de opções, medos, forças, inseguranças, persistências, constâncias e transições …

Mais de 2000 mil anos depois, interrogamo-nos:

Viver não é preciso?

Não, quando navegar é sonhar, ousar, planejar, arriscar, empreender, realizar…
Porque aí, navegar é viver e viver, é acima de tudo im[preciso]. <http://www.uc.pt/navegar>

ii

A Liga Hanseática foi uma aliança de cidades mercantis alemãs, situadas ao longo dos mares do Norte e Báltico. Ela forneceu madeira, metais, peles, peixes e cereais a toda Europa. Dominaram todo o comércio pelo Mar do Norte e pelo Mar Báltico a Hansa. A Liga Hanseática promovia monopólios comerciais, conseguindo privilégios exclusivos na Escandinávia, nos Países Baixos, Rússia, Alemanha e Inglaterra. Suas atividades estavam baseadas principalmente numa rede de cidades na Alemanha e quatro grandes feitorias ou Kontore: o Tyskebrugge em Berger (madeira e peixes), o Peterhof em Novgorod (couros), o Steelyard em Londres (lã e tecidos) e as Assembléias em Bruges (tecidos). Este último foi o principal entreposto de armazenagem que unia os interesses do Mediterrâneo com os do Báltico e o Mar do Norte, até que a capacidade de seu porto foi excedida no fim do século XV.

Os navios tinham uma superfície velica de aproximadamente 150 m2, feita com uma tela amarelada. A cor resultava da solução preparada com cortiça, para prolongar a vida útil do velame. Para a construção dos cascos, os construtores nórdicos utilizavam o sistema de trincar (o bordo inferior de cada tábua ficava sobre o bordo superior da que estava em baixo), enquanto no local onde os costados se uniam à quilha optaram pelo método de construção de juntas planas (com os bordos das tábuas uns contra os outros e tapando a união com estopa embebida em alcatrão, que impedia a entrada de água). As tábuas eram de carvalho e, especialmente para as superiores, muito grossas (50 cm e às vezes mais).

 Réplica a escala natural de la coca hanseáticaRéplica da coca hanseática da segunda metade doséculo 14, descoberta em 1962 no porto de Bremen.

Uma das maiores contribuições deixadas pela Liga foi o sistema de leis marítimas e comerciais por ela desenvolvido. <http://universodahistoria.blogspot.com/2010/11/liga-hanseatica.html>

iii

“Nenhum homem é uma ilha isolada;…John Donne (1572 – 1631 Inglaterra) A Solidariedade”  <http://www.rumar.org.br/o-mar/>

Sobre o autor

Redação Rumar

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