Mentalidade marítima

Vela brasileira lança guia sobre convivência com baleias no Litoral Paulista

O Litoral Centro de São Paulo é palco, neste sábado (07/03), de um marco para a vela brasileira. Durante a Regata Volta da Ilha das Cabras, organizada pelo Iate Clube de Santos (ICS), é lançado o Guia Velas e Baleias no Litoral Paulista, documento que reúne em linguagem acessível as normas brasileiras e as diretrizes internacionais para a convivência responsável entre embarcações e cetáceos nas águas paulistas.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Confederação Brasileira de Vela (CBVela), o VIVA Instituto Verde Azul e o Iate Clube de Santos, com a colaboração do Instituto Gremar. O Guia consolida as normas do IBAMA e do ICMBio, as diretrizes da World Sailing e do Grupo Consultivo de Mamíferos Marinhos/Marine Mammal Advisory Group (MMAG), e apresenta as boas práticas a serem adotadas por velejadores e organizadores de regatas ao encontrar animais marinhos na região de atuação do Gremar – Bertioga, Guarujá, Santos ou São Vicente

“O mar é a nossa raia, mas acima de tudo é um ecossistema vivo e compartilhado”, afirma Daniel Azevedo, Presidente da CBVela. “Este Guia tem foco na conservação da fauna marinha, mas também trata de uma questão de segurança operacional para quem veleja e organiza regatas no Litoral Paulista.”

O Guia será disponibilizado no site da Confederação Brasileira de Vela.

Um lançamento no momento certo

A publicação chega em momento especialmente oportuno. No dia 18 de março, a World Sailing, instituição responsável pela modalidade vela em nível global, realiza um webinar sobre as diretrizes para a interação de embarcações com a megafauna marinha.

“O evento reforça a atualidade e a relevância do tema para a comunidade náutica internacional e nós, junto com a CBVela e o VIVA, trouxemos esse conteúdo para a nossa comunidade, baseada na região de Santos”, afirma Odoardo Lantieri, Diretor de Vela e Meio Ambiente do Iate Clube de Santos

A bióloga, pesquisadora e fundadora do VIVA, Mia Morete, explica que o Litoral Paulista concentra 32 espécies de cetáceos, entre elas a baleia-jubarte, a baleia-de-Bryde e a baleia-franca-austral — espécie ameaçada de extinção. “A região abriga diversas Unidades de Conservação, incluindo três Áreas de Proteção Ambiental Marinhas, as APAs Litoral Norte, Centro e Sul, e quem está no mar, no oceano compartilhado, pode contribuir efetivamente para a conservação da vida marinha ao simplesmente seguir as orientações baseadas na ciência e na pesquisa”, defende Mia.

O que diz o Guia

O material compila as normas brasileiras editadas pelo IBAMA e ICMBio que apresentam regras e boas práticas em interação com cetáceos – Portarias IBAMA nºs. 117/1996 e 24/2002 e Manual de Boas Práticas em Interação com Cetáceos, publicado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Natureza (ICMBio) em 2024.

Algumas das normas para todos os tipos de barcos, não motorizados e motorizados, são:

● não devem se aproximar (com o motor engatado, se for embarcarção a motor), menos de 100 metros dos animais;
● quando duas embarcações já estiverem se aproximando simultaneamente, não é recomendada a aproximação de uma terceira embarcação; uma terceira embarcação deve aguardar a uma distância de 300m das demais até que uma delas se afaste mais de 300m;
● não navegar a uma velocidade superior a cinco nós (aproximadamente 10 km/h) nem fazer mudanças bruscas de direção ou velocidade da embarcação na presença de cetáceos que estejam a menos de 300 metros da embarcação;
● não acompanhar cetáceos por mais de 30 minutos.
O Guia ainda agrega à legislação brasileira as diretrizes emitidas pela World Sailing sobre o tema, que são de ordem prática e direcionadas para velejadores e organizadores de regatas. “Há uma conexão total entre as normas brasileiras e as diretrizes da World Sailing. A prioridade absoluta é manter o afastamento entre barcos e animais, para a segurança de todos”, resume a gerente de Sustentabilidade da CBVela, Sandra Di Croce Patricio.

As diretrizes abrangem regatas costeiras e oceânicas. Em ambas, caso haja avistamento de animais da megafauna marinha antes do início da regata, a orientação é atrasar sua largada ou alterar seu percurso e a retomada da competição deve ser feita somente após 20 minutos do último avistamento.

Em regatas costeiras, caso sejam avistados animais durante a competição, a regra sugerida é interromper a prova para adotar medidas de prevenção de colisões e retomar a competição somente após 20 minutos do último avistamento. No caso das regatas oceânicas, a competição não precisa ser interrompida, porém medidas importantes devem ser adotadas, como ajuste de velocidade e trajetória, por exemplo, sempre com o intuito de manter o afastamento dos animais.

Instituto Gremar – O documento também apresenta as boas práticas indicadas pelo Instituto Gremar para situações de encontro com animais marinhos em praia e informa os meios de contato com o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos – PMP-BS (telefone 0800 642 3341) e Acionamento Gremar (13) 99711-4120 ou (13) 3395-7000 para ocorrências nos municípios de Bertioga, Guarujá, Santos e São Vicente.

Sobre a Regata Volta da Ilha das Cabras

Realizada neste 7 de março de 2026 pelo Iate Clube de Santos, a regata reúne velejadores das classes ORC, BRA-RGS e RGS Cruise em um percurso que passa pela Ilha das Cabras, em frente à Praia da Enseada, no Guarujá, dentro da APA Marinha Litoral Centro.

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