
A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) esteve no centro dos debates do 3º Simpósio Marítimo, realizado pela Marinha do Brasil (MB), em 10 de abril, na Escola Naval, no Rio de Janeiro (RJ). O evento reuniu autoridades e especialistas para discutir os desafios da segurança e da cooperação marítima, em um momento em que o Brasil assume a presidência do mecanismo.
Com o tema “Fortalecendo a Cooperação Marítima e a Segurança no Atlântico Sul”, o evento reuniu autoridades civis, militares e especialistas nacionais e internacionais e se consolidou como fórum de articulação estratégica entre países da América do Sul e da África.
Durante a sessão de abertura, o Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, destacou a importância da discussão para o Brasil e para o cenário internacional, além de ressaltar o avanço da ZOPACAS como elemento fundamental para a cooperação marítima.
Esperamos que o encontro promova o intercâmbio de percepções entre os Estados da ZOPACAS e fortaleça a segurança mútua. Diante dos desafios contemporâneos do ambiente marinho, entendemos que a revitalização do mecanismo é prioridade da política externa brasileira e que há condições de avançar. Tanto a reunião quanto o simpósio contribuem para o avanço da agenda de paz e cooperação, voltada ao desenvolvimento sustentável da América do Sul”, ressaltou.
Na ocasião, o Ministro também reforçou a importância do simpósio no contexto do cenário geopolítico atual.
Vivemos um período caracterizado pela competição estratégica global, pelo aumento das disputas por recursos naturais e pela crescente pressão sobre os espaços marítimos. Nesse contexto, a recente interrupção do tráfego de embarcações no Estreito de Hormuz evidenciou a vulnerabilidade das rotas marítimas e seus impactos sobre o comércio mundial. O mar voltou a ocupar posição central na geopolítica internacional, e o Atlântico Sul assume papel relevante nas dinâmicas políticas e estratégicas dos nossos países”, concluiu.
Já o Ministro de Estado das Relações Exteriores do Brasil, Embaixador Mauro Luiz Lecker Vieira, destacou o papel da MB nesse contexto.
Trata-se da primeira entrega concreta da estratégia de cooperação do Rio de Janeiro e isso é uma confirmação do compromisso histórico da Marinha com a ZOPACAS.”
A programação prosseguiu com a conferência magna conduzida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, o Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, que além de abordar o papel do Brasil na liderança regional relembrou a importância da cooperação internacional.
Nenhuma nação, por mais poderosa que seja, garantiria sozinha o domínio e a segurança dos mares. O Atlântico Sul tem que ser pensado como estado estratégico a ser preservado, proteger o mar não é só combater ilícitos, é preservar a soberania. A Marinha seguirá ao lado dos que escolhem a paz, que, principalmente no mar, precisa ser sustentada por autonomia e trabalho firme”, reforça.
Ao longo do evento, especialistas debateram iniciativas práticas voltadas ao aprimoramento da governança marítima. Entre os subtemas, destacou-se “Desenvolvimento da Consciência Situacional Marítima Integrada no Atlântico Sul.”
Para o palestrante, Coordenador da Área Marítima do Atlântico Sul (CAMAS), Contra-Almirante Luciano Calixto de Almeida Junior,
o Simpósio se apresenta como excelente oportunidade para o desenvolvimento da Consciência Situacional Marítima integrada no Atlântico Sul e para a construção da governança marítima no âmbito da ZOPACAS.”
Já durante o subtema “Planejamento Espacial Marinho (PEM)”, a professora doutora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Tatiana Silva da Silva, destacou a relevância do ordenamento sustentável dos espaços marítimos como possibilidade de cooperação. “O planejamento espacial marinho é uma ferramenta essencial para conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e segurança, promovendo o uso racional dos recursos oceânicos”, pontuou.
O que é a ZOPACAS?
Criada em 1986, por iniciativa do Brasil, a ZOPACAS reúne 24 países — três da América do Sul e 21 da África —, com o objetivo de manter o Atlântico Sul como uma região de paz, livre de conflitos e de armas nucleares. Integram o grupo:
• Brasil;
• Argentina;
• Uruguai;
• África do Sul;
• Angola;
• Benim;
• Cabo Verde;
• Camarões;
• República do Congo;
• Costa do Marfim;
• Gabão;
• Gâmbia;
• Gana;
• Guiné;
• Guiné-Bissau;
• Guiné Equatorial;
• Libéria;
• Namíbia;
• Nigéria;
• República Democrática do Congo;
• São Tomé e Príncipe;
• Senegal;
• Serra Leoa;
• Togo.
Angola é uma das nove nações que formam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Em entrevista à Agência Marinha de Notícias, o Ministro das Relações Exteriores da República de Angola, Embaixador Téte António, destacou a importância do caráter permanente da ZOPACAS, bem como a necessidade de promover seu aprimoramento.
Chegamos aqui com o objetivo de revitalizar a ZOPACAS e isso significa criar alicerces fortes. Também temos um objetivo que não é só uma questão de paz e proteção do meio marítimo, mas também de criar canais de conexão”, garante.
A edição deste ano celebrou os 40 anos do mecanismo e ao longo do encontro, também foram destacadas iniciativas como a Operação “GUINEX”, que reforça o compromisso da MB com o combate à pirataria e a proteção das rotas marítimas essenciais para o comércio internacional.
Presente no evento, o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, destacou a relevância estratégica da atuação naval brasileira no Atlântico Sul.
A Marinha do Brasil permanece comprometida com a cooperação internacional e com a manutenção de um ambiente marítimo seguro, estável e propício ao desenvolvimento de todos os países da região.”
O simpósio reforçou a importância da integração entre nações banhadas pelo Atlântico Sul, evidenciando que a cooperação marítima segue como pilar fundamental para enfrentar desafios comuns e assegurar a paz e a prosperidade na região.
Fonte: Agência Marinha de Notícias
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