Cultura ESPORTE Surf

Os pioneiros do surfe – Parte 1

Thomas e Margot

Por Gabriel Pierin

Thomas e Margot Rittscher caminham pelas areias escuras da praia de Santos. Mais adiante, um grupo de pescadores puxa a rede de arrasto. A enorme prancha de quase 4 metros causa estranhamento entre os caiçaras. 

O casal de irmãos parece não se incomodar com os olhares curiosos. Apenas observa as ondas quebrando. A ansiedade é grande. Margot e Tommy, como era carinhosamente chamado, vão colocar pela primeira vez na água a prancha que eles mesmos fizeram.

O sonho começou a ser construído um ano e meio antes, quando o jovem Tommy recebeu de seu pai a revista Modern Mechanix and Inventions Magazine. Thomas Rittscher, um homem ligado aos negócios de café, deixou Nova Jersey durante a Grande Depressão e retornara ao Brasil com a família. O alemão de Hamburgo já conhecia o país na juventude. Foi em terras brasileiras que se apaixonou por Frida, filha de imigrantes alemães. Casaram-se e voltaram para a Alemanha. Antes da Grande Guerra estourar emigraram para os Estados Unidos. 

Nascido em 30 de julho de 1917, Tommy tinha 13 anos quando desembarcou no Brasil. Margot, 15. A família Rittscher se instalou em uma espaçosa casa na “barra”, de frente ao mar no canal 5. Tommy passa a frequentar os clubes de regatas localizados na Ponta da Praia. Alto e forte, ele se destaca em atividades aquáticas, praticando remo, vela, natação e salto em trampolim. Entretanto, nada se comparou ao encanto do que a publicação lhe revelara. Uma das reportagens da revista que o pai trouxera na bagagem de sua última viagem saltara aos olhos. A proeza dos homens que deslizavam sobre as ondas era algo milagroso. Junto à reportagem um passo a passo de como fazer a própria prancha. A engenhoca parecia uma versão fechada de um barco a remo olímpico. Tommy e Margot decidem construir a prancha juntos. 

Naquela tarde de 1935, eles colocaram a prancha sobre a água e, na base da tentativa e erro, conseguiram o êxito de ficar em pé deslizando sobre o mar. Os pescadores que trocaram risos com os primeiros tombos do casal, assistiram perplexos quando um homem e uma mulher andaram sobre as águas. Era a primeira vez na história do surfe brasileiro.

Os dias passam e o casal encontra um velho amigo, o Jua Haffers. Companheiro de natação de Tommy, Jua se interessa pelo surfe. Ele ainda não sabe, mas também vai entrar para a história…

Equipe do Museu do Surfe

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