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CLUBE DOS JANGADEIROS – DA FUNDAÇÃO AO CINQUENTENÁRIO

O bairro da Tristeza, em Porto Alegre, cenário onde se desenvolverá esta breve história do Clube dos Jangadeiros, da fundação ao cinquentenário, tem o início de sua existência situado nos últimos decênios do século XIX. Consta que o bairro era, na sua parte central, propriedade de um senhor, José Silva Guimarães. O nome Tristeza veio desse tristonho senhor, cuja permanente melancolia era resultante do casamento da única filha de apenas doze anos, da qual sentia imensa saudade. O povo, vendo sua constante desolação, passou a chamá-lo Juca Tristeza e, quando o século XIX se despedia, o local já era conhecido por Tristeza e assim permaneceu definitivamente.

A Tristeza daquele tempo era um arrabalde muito procurado pelos porto-alegrenses no verão como local de lazer e férias, quando o acesso às praias do litoral atlântico ainda era muito difícil; tinha cinema, hotéis e vários clubes, entre eles o Yacht Club de Porto Alegre, fundado em 1932, de breve existência. Restos do seu trapiche ainda podem ser vistos próximo ao local onde hoje está a Ilha dos Jangadeiros, à beira do Rio Guaíba, atualmente definido como lago, uma definição que muitos contestam. Continua sendo o Rio Guaíba para o pessoal da vela.

Foi nesse bairro aprazível, lugar de chácaras de veraneio cujos proprietários eram na maioria descendentes de alemães, que Leopoldo Geyer, importante figura do comércio, diretor da Casa Masson e esportista, passou a residir no final da década de 1930.

Pertencendo ao grupo de veleiros avulsos de Porto Alegre, cujos integrantes haviam fundado o clube Veleiros do Sul em 13 de dezembro de 1934 e, também, o Comitê Sul Rio-grandense de Vela, mais tarde transformado em Federação de Vela e Motor do Rio Grande do Sul/FVMRGS, Geyer trouxe para a Tristeza o seu barco Cayru, que fizera construir para a grande Exposição Farroupilha de 1935, evento internacional que celebrou o centenário da revolução dos Farrapos, onde foi exposto em um pavilhão.

Barco Cayru

Foi a bordo desse barco que começou a delinear-se a criação de um clube de vela na Tristeza. Nas palavras do próprio Leopoldo, tudo começou assim: “Era um lindo domingo. Estava na minha boia de amarração do Cayru quando se aproximaram alguns veleiros do extinto Yacht Club. Conhecia alguns, mas quem se dirigiu a mim foi o Alfredo Sternberg: – Que tal se conseguíssemos um localzinho onde pudéssemos formar um clube de vela?”

Com essa frase, a ideia estava lançada. Pouco tempo depois, Leopoldo Geyer soube que estava à venda a chácara de propriedade da sra. Liselotte Wahrlich, na beira do rio, pelo valor de Cento e Vinte Contos de Réis. Foi visitá-la e, quando entrou no terreno em companhia de um amigo, ficou encantado. Imediatamente entrou em contato com o corretor encarregado da venda e oito horas depois estava fechado o negócio. Disse Leopoldo: “comprei a chácara que valia Cento e Vinte por Cem Contos de Réis, sem que o clube tivesse sido fundado”.

Feito isso, se lançou com entusiasmo à tarefa de viabilizar a nova sociedade. Contou desde o início com a firme colaboração de um grupo que ele denominou “organizadores do futuro Clube dos Jangadeiros”, decisivo para os passos seguintes.

A Chácara da Tristeza

A fundação do clube se deu em 7 de dezembro de 1941, contando com cem sócios proprietários, destinado a promover e incrementar o esporte da vela, bem como realizar regatas e cruzeiros e efetuar reuniões de caráter social e recreativo. Estava localizado na Rua Ernesto Paiva, 139. A primeira assembleia geral do novo clube foi realizada com a presença de 32 sócios quotistas com a finalidade principal de eleger uma diretoria provisória; Geyer, por aclamação, foi eleito o primeiro presidente.

Leopoldo Geyer

Em 1942 o clube já tinha 117 sócios proprietários e a arrecadação vinha sendo animadora, possibilitando a realização de obras e benfeitorias, a mais importante delas a construção de um trapiche de concreto, projetado pelos engenheiros Alberto Dubois Aydos e Benjamim Vinholes. Segundo Leopoldo Geyer, foi construído “com todo o rigor da técnica”. A obra foi inaugurada com toda a pompa pelo Prefeito Municipal, Dr. José Loureiro da Silva em 6 de dezembro de 1942, véspera do dia em que o clube completou seu primeiro aniversário.

Inauguração

Tendo sido projetado para uso de pedestres e para o deslocamento de pequenos barcos, o trapiche, vinte e quatro anos mais tarde, suportou a passagem de centenas de caminhões carregados com milhares de pedras, tijolos, cimento, areia, máquinas, asfalto e, enfim, todo o material consumido na construção da Ilha dos Jangadeiros iniciada em 1965, e suas edificações, confirmando o citado “rigor da técnica”.

PRIMEIROS TEMPOS

Em 1945 o Clube dos Jangadeiros já possuía uma flotilha bastante razoável. Eram quarenta e sete barcos, dos quais dez de propriedade do clube, que os colocava à disposição dos associados. Seis eram da classe Sharpie 12m2, introduzida em Porto Alegre em meados da década de 30 pelo Veleiros do Sul, que buscava possuir uma flotilha de barcos padronizados com os quais seria possível a realização de competições em moldes internacionais. Foi um passo muito importante para o iatismo do Rio Grande do Sul. E havia outros; além dos Sharpie, o Jangadeiros possuía um canoe-skiff, o Darke, presenteado pelo Iate Clube do Rio de Janeiro, o Bujuru, barco de salvamento, e ainda três barcos da classe Jangadeiro. Essa era uma classe local, que surgiu por iniciativa de Alberto Dubois Aydos, sócio do clube, morador do bairro e apreciador do esporte da vela. Antes, ele possuíra um barco da classe U que se perdeu na grande enchente que inundou Porto Alegre em 1941. Procurou, então, o estaleiro de Roberto Funk, que lhe mostrou a planta de um barco alemão que parecia ideal para as águas rasas do Guaíba. Tratava-se de uma iole sem cabine, típica do Rio Wieser, desenho de Arthur Tiller, o mesmo projetista do Cayru de Leopoldo Geyer. Alguns meses depois, o barco foi lançado à água, mostrando excelentes qualidades marinheiras e muita resistência. Era o Rajada, o J-1. Em seguida foram construídos mais cinco barcos dessa classe que foi da maior importância na formação de jovens velejadores, os “Filhotes do Jangadeiros”, grupo criado também por Leopoldo Geyer.

Por essa época, o Jangadeiros, embora com poucas tripulações, já participava regularmente das regatas da Federação de Vela e Motor com barcos da classe Sharpie. Muito jovem ainda, Gastão Altmayer integrava uma das tripulações. Anos mais tarde ele viria a ser destacado velejador, conquistando com o proeiro Rogério Christo o título de campeão brasileiro da classe Sharpie nada menos que cinco vezes consecutivamente, tendo ainda brilhante participação na classe Snipe e em regatas de barcos de oceano.

A CRIAÇÃO DO CLUBE DOS FILHOTES DOS JANGADEIROS

Em 1947, deu-se um fato que viria a ser relevante para o futuro do Clube dos Jangadeiros. Numa reunião do Conselho Deliberativo, Leopoldo Geyer, que já não ocupava cargos na diretoria, informou que em 2 de março, um domingo, fora fundado a bordo do Cayru um novo grupo de veleiros – o Clube dos Filhotes dos Jangadeiros – composto, com poucas exceções, por filhos de associados, todos com idade inferior a dezesseis anos, aos quais foi permitido instalar sua sede num terreno por ele adquirido frente ao Jangadeiros, onde já funcionava um estaleiro sob os cuidados de Orlando Borges, carpinteiro e marinheiro. De acordo como os planos de Geyer, seria entregue um barco da classe Pinguim, recém introduzida em Porto Alegre, para cada grupo de dez Filhotes. Nessa mesma reunião, ele solicitou e obteve da Diretoria (liderada pelo comodoro Carlos Fleck) licença para o trânsito desses barcos e o uso do trapiche e do “stand” de juízes em dias de regata.

Em 19 de outubro daquele ano foi oficialmente inaugurada a sede do Clube dos Filhotes, na dependência especialmente construída a mando de Leopoldo Geyer, uma espécie de anexo do estaleiro. O interior da sede era decorado como uma cabine de barco; em lugar de janelas, foram colocadas vigias, com livros e revistas de vela e sete beliches marinheiros.

O Clube dos Filhotes foi adquirindo estrutura própria, com diretoria formada por presidente, secretário e tesoureiro, proporcionando aos jovens velejadores, cujas idades iam dos 11 aos 16 anos, um verdadeiro aprendizado de como manter, dirigir e disciplinar seu grupo, uma espécie de miniatura do clube que os esperava do outro lado da rua.

Sócios Filhotes

Mas nem sempre foi fácil a vida dos Filhotes. A convivência com os sócios do Jangadeiros era meio acidentada e mais de uma vez houve pedidos para que eles não pudessem mais circular pelo clube. Geyer, entretanto, manteve-se firme no apoio aos meninos e o Clube dos Filhotes continuou. Quase trinta anos depois ele afirmava: “Hoje posso dizer que tudo que o Jangadeiros tem e é, pode ser creditado ao trabalho, dedicação e amor dos Filhotes”.

Vários deles já ocuparam, e ocupam, cargos importantes na diretoria do clube e tenho a certeza de que o Jangadeiros continuará no rumo certo.

Passado algum tempo, o clube entrou numa fase de pouca atividade, quase um marasmo, que só foi sacudido quando alguns conselheiros pensaram em transformá-lo em sede de inverno de um clube que reunia veranistas porto-alegrenses na cidade litorânea de Torres, que havia manifestado interesse. Isso não aconteceu porque uma nova diretoria, liderada pelo comodoro Walter Güttler e seu vice, Cláudio Alberto Aydos, assumia os destinos do Jangadeiros e reagiu àquela ideia, colocando em ação um plano que visava aproveitar o promissor potencial que representavam os Filhotes em benefício do clube. Eles foram incorporados ao quadro social em categoria especial e sua sede foi transferida para as dependências do Clube. Em seguida, sob a orientação de Aydos, começaram as aulas de vela, as frequentes regatas internas, inicialmente nos barcos da classe Jangadeiro, e depois nos Sharpie. Era o início de uma nova etapa. As primeiras vitórias alcançadas em competições oficiais serviram de estímulo, aumentando o número de interessados em praticar o esporte. A partir daí, o clube foi conquistando seu lugar de destaque em competições nacionais e internacionais, revelando vários campeões brasileiros e mundiais, todos ou quase todos oriundos do grupo dos Filhotes. Nos anos que se seguiram, novas classes de barcos foram introduzidas no clube e se tornaram da maior importância no seu desenvolvimento.

AS CLASSES DE BARCOS QUE FIZERAM A HISTÓRIA DO CLUBE – CLASSE SNIPE

O ano de 1954 ficou marcado na história da vela gaúcha, e mais especificamente do Clube dos Jangadeiros, pela chegada da classe Snipe, criada nos Estados Unidos e largamente difundida mundo afora, fruto de mais uma bem-sucedida iniciativa de Leopoldo Geyer, não por acaso tido como o “Pai da Vela Gaúcha”. Na época residindo no Rio de Janeiro, ocupava o cargo de Diretor de Vela do Iate Clube do Rio de Janeiro, que já possuía uma flotilha de Snipe desde 1942. Nas frequentes vindas a Porto Alegre, ele observava que os jovens Filhotes tinham dificuldades em competir de igual para igual na classe Sharpie com os iatistas mais veteranos do Veleiros do Sul em vista de terem ainda pouco peso e menos força física. Pareceu-lhe que o Snipe, que vinha dando bons resultados no Rio, seria uma boa opção. Trouxe plantas e especificações da classe e financiou a construção de dez barcos no estaleiro de Casemiro Durajski pelo custo unitário de Cr$ 10.000,00 (Dez Mil Cruzeiros, a moeda da época), preço considerado excelente. Logo houve a adesão de muitos velejadores dos três clubes de vela de Porto Alegre e os barcos foram todos adquiridos. Mas havia um longo caminho a percorrer. Construídos à moda tradicional com madeiras pesadas e lonas pintadas com tinta a óleo cobrindo o convés, os barcos resultaram com um excesso de peso de 70 kg. Entretanto, graças ao esforço de vários velejadores, os barcos que vieram depois foram redesenhados e modernizados, tornando-se competitivos. E os resultados começaram a aparecer.

Em 1955 os campeões estaduais foram dois jovens do Clube dos Jangadeiros, Gabriel Gonzalez – 18 anos, e Nelson Piccolo – 15 anos. Nesse mesmo ano eles foram ao Campeonato Brasileiro realizado em Natal/RN e voltaram com o troféu. Era o primeiro dos cinco campeonatos brasileiros que vieram a conquistar nos anos seguintes.

De 1954 a 1956 houve uma grande evolução nos Snipes gaúchos, puxada por Gabriel Gonzalez. Além de ótimo velejador, dedicou-se a estudar a planta e, explorando as tolerâncias das medidas oficiais, fez alterações no desenho do casco obtendo nova forma para o fundo com um V menos pronunciado na popa, o que permitiria que o barco planasse em vento ao largo ou de través. Nesse novo design a proa resultou mais arredondada, o convés mais abaulado, enfim uma mudança considerável; com isso, os barcos gaúchos passaram de pesados “submarinos” a super Snipes. A construção desses barcos coube a Alberto Lineburger, que depois de vários anos de trabalho no estaleiro de Roberto Funk estabelecera-se por conta própria, produzindo barcos de grande qualidade. Começava ali a trajetória desse construtor que veio a tornar-se conhecido nacional e internacionalmente.

Em marco de 1956, o pequeno Clube dos Jangadeiros realizou pela primeira vez um campeonato brasileiro da classe Snipe, o primeiro de sua história, com ótima participação de velejadores de oito Estados. Resultaram vencedoras, empatadas, as duplas formadas por Gabriel Gonzalez/Nelson Piccolo, do Jangadeiros, e Alfredo Bercht/Eduardo Jacobsen do Iate Clube Guaíba.

Entrega de prêmios do Brasileiro de Snipe 1956: da esquerda para a direita, estão Kurt Keller, Arno Keller, Gabriel Gonzalez, Alfredo Bercht, Eduardo Jacobson, Waldemar Bier e Nelson Piccolo

Ainda nesse ano o clube teve sua primeira participação internacional, com a ida dos campeões brasileiros Gonzalez e Piccolo ao Campeonato do Hemisfério Ocidental da Classe Snipe realizado nas Bermudas.
A má sorte acompanhou a dupla na competição devido à qualidade inferior dos barcos fornecidos. Havia apenas dois ou três em bom estado e o campeonato era disputado com sorteio de barcos a cada regata. Resultado é que Gonzalez e Piccolo tiveram avarias em três das seis regatas realizadas: um mastro e dois lemes quebrados. A foto abaixo é de uma regata que eles lideravam com folga quando o leme quebrou. Mesmo assim, cruzaram a linha de chegada em 6° lugar com leme improvisado.

Gabriel Gonzales e Nelson Piccolo

CAMPEONATO MUNDIAL DA CLASSE SNIPE DE 1959

O rápido desenvolvimento que vinha tendo a classe Snipe no clube, tanto no que dizia respeito à evolução técnica dos barcos e qualidade da construção, quanto ao que se referia ao nível dos iatistas, fez surgir em 1957 a ideia de um campeonato mundial em águas do Rio Guaíba. A primeira providência foi pleitear a indicação do Clube dos Jangadeiros pela Snipe Class International Racing Association/SCIRA quando da realização do Mundial daquele ano em Cascais/Portugal.

Kurt Egon Keller e Sérgio Christo, velejadores do clube, que haviam vencido o Brasileiro de 1958 em Maceió e que lá estavam representando o Brasil, foram os portadores da proposta apresentada em reunião de dirigentes e timoneiros que teve lugar na Câmara de Vereadores de Cascais. Keller, 21 anos, foi um bom advogado da causa apoiado por Luiz Brotherhood, snipista pernambucano que representava a Secretaria Nacional da Classe Snipe. Depois de longos debates, em que os europeus alegavam dificuldades no deslocamento até o Brasil pelo grande dispêndio de tempo e dinheiro, a candidatura do Jangadeiros foi aceita ante a promessa apresentada por Keller de construção de vinte barcos de ótima qualidade que seriam postos à disposição dos participantes, gerando considerável economia para os iatistas estrangeiros. Quando se pensa no Jangadeiros de 62 anos atrás, pode-se dizer que era uma proposta muito arrojada para o pequeno clube no sul do Brasil.

Os Snipes do Mundial ainda no estaleiro

Em 1958, três associados, Cláudio Alberto Aydos, Edwin Ricardo Hennig (que no ano seguinte assumiria a Comodoria) e Kurt Egon Keller, formavam a comissão que trataria de todos os assuntos referentes ao campeonato. Hennig, industrial muito conhecido, encarregou-se de manter contatos com deputados estaduais e federais visando à obtenção de verbas. Viajou também para a Europa, visitando vários centros de vela e divulgando o evento. Concedeu entrevistas a vários jornais e revistas dos países que visitou, garantindo ainda a publicação de futuras notícias sobre o campeonato, trabalho eficiente que rendeu ótimos resultados.

Em Porto Alegre a construção dos barcos era a maior preocupação. A SCIRA enviara plantas e especificações com as mais recentes alterações nas medidas oficiais. O trabalho tinha bom andamento no estaleiro de Alberto Lineburger, cujos barcos já eram considerados os melhores do Brasil na época. A Sociedade dos Amigos da Vela/SAVEL era a financiadora e os barcos foram vendidos antecipadamente pelo sistema de prestações. Os donos os receberiam após as regatas do Mundial.

A SAVEL tratava de arrecadar os fundos necessários à construção dos vinte Snipes e também percorria estabelecimentos comerciais e industriais arrecadando doações. Empresas importantes entraram na corrente de solidariedade e doaram madeiras, tintas e vernizes, colas, parafusos, chapas metálicas destinadas às bolinas dos barcos e ferragens. Dois barcos foram totalmente custeados pela Companhia Jornalística Caldas Júnior e pela Casa Masson. Graças à ação da SAVEL os Snipes foram construídos com os melhores materiais e entregues pontualmente à comissão organizadora do campeonato. Tudo acontecia dentro do previsto.

Os barcos feitos para o Mundial e suas madrinhas no dia do batismo

Paralelamente, o Jangadeiros preparava o IX Campeonato Brasileiro de Snipe que seria realizado na semana anterior ao Mundial. Foi um grande evento. Trinta e nove tripulações de oito Estados brasileiros estiveram na raia de regata, em competição definida pela revista Yachting Brasileiro como “a melhor até o momento, quer em organização, quer em número de barcos, quer em qualidades técnicas”. Os tricampeões brasileiros Gabriel Gonzalez e Nelson Piccolo venceram cinco das seis regatas disputadas e garantiram o título de campeões brasileiros pela quarta vez. Waldemar Bier e Arno Keller, também do Jangadeiros, foram os vice-campeões, ficando em terceiro a dupla formada pelos gêmeos Axel e Erik Schmidt, de Niterói/RJ. Era outubro de 1959. As luzes do Brasileiro se apagavam e já se iluminava novamente o cenário porque começava um campeonato mundial no Rio Guaíba, o primeiro de sua história, primeiro também na América do Sul.

O Mundial atraiu grande público, como mostra o trapiche lotado

Desde o início do mês as delegações de quinze países começaram a chegar, algumas com velejadores conhecidos internacionalmente, como o dinamarquês Paul Elvstroem, três vezes medalha de ouro nos Jogos Olímpicos na classe Finn, o cubano Gonzalo Diaz, o norte-americano Dick Tillmann e os argentinos Fernando e Jorge Sanjurjo.

Na noite de 16 de outubro foram todos recepcionados com um coquetel na sede do clube. Após o coquetel, aconteceu o sorteio dos barcos e alguém comentou que a cena dos velejadores chegando ao galpão onde estavam alinhados os Snipes lembrava um domingo de Páscoa, quando a meninada sai à cata de ovos de chocolate. Realmente, era de entusiasmar aquela flotilha reluzente de barcos novos, perfeitos, construídos segundo os mais recentes requisitos da técnica, pintados cada um de uma cor. O americano Dick Tillmann estava encantado e declarava à revista Yachting Brasileiro que “gostaria bastante de poder levar um desses barcos para a minha terra. E reparem que possuo um barco que julgo dos melhores do mundo”.

O Clube dos Jangadeiros preparou esse campeonato acreditando que os tricampeões brasileiros Gonzalez e Piccolo tinham tudo para brilhar: técnica, ambientação, garra e torcida. A má sorte, entretanto, desmantelou o sonho. Ao término da primeira regata em que ficaram em segundo lugar, perdendo só para Paul Elvstroem, Gabriel, ao voltar para casa (vizinha ao clube) caminhando por murinho de pedra na beira do rio, que às vezes ficava encoberto por água, pisou num caco de vidro que lhe produziu um corte profundo no pé direito, seccionando um tendão e afastando-o definitivamente da competição. Era um caminho que ele percorria quase que diariamente. Naquele dia, a fatalidade aconteceu.

O fato provocou uma emoção muito grande nos companheiros de clube, no dia seguinte “jangadeiros” vagavam pelo clube, trazendo no rosto sinais de uma noite mal dormida. Agora era preciso definir se o Brasil poderia seguir no campeonato. Houve longas discussões entre os dirigentes e consultas ao regulamente, que não permitia a substituição de timoneiros.

Optou-se, então, por uma consulta aos próprios timoneiros, que deram voto favorável à entrada do vice-campeão brasileiro, Waldemar Bier, mantendo a permanência do proeiro Nelson Piccolo. Os pontos obtidos por Gonzalez na primeira regata seriam desconsiderados e a nova dupla começaria do zero. Para completar o azar, não houve condições para a realização da sexta regata e os competidores computaram, sem descarte, os pontos das cinco já corridas e os brasileiros contaram os pontos de apenas quatro. Os dinamarqueses Paul Elvstroem/ Erik Johansen foram os grandes vencedores, com os cubanos Gonzalo e Raul Diaz na segunda colocação.

O Mundial foi encerrado com um grande jantar e entrega de prêmios no Clube do Comércio, escolhido porque a sede do Jangadeiros, simples e pequena, não parecia adequada para tal acontecimento ou, pelo menos, pensava-se assim. Depois ficou evidenciado que fora um equívoco porque os velejadores estariam bem mais à vontade no próprio clube. O jantar ficou marcado por um incidente que causou um atraso muito grande que impacientou a todos. Como a cozinha do Clube do Comércio funcionava um andar abaixo do Salão dos Espelhos, onde se realizava o jantar, um dos cozinheiros teve de trazer escada acima um panelão com o creme de aspargos que seria servido. Teve a má sorte de escorregar, derramando toda a sopa e sofrendo inclusive queimaduras. Obviamente, a sopa teve de ser substituída, ocasionando a grande demora.

Depois de tudo, os prêmios foram entregues, ouviram-se muitas palmas, despedidas aconteceram e as luzes foram se apagando. O primeiro Campeonato Mundial de Snipe realizado abaixo da linha do Equador estava acabando.

AINDA A CLASSE SNIPE

Em 1967, Nelson Piccolo, agora timoneiro, com Carlos Henrique de Lorenzi na proa, conquistou o título de campeão pan-americano em Winnipeg/Canadá e, logo depois o Campeonato Mundial nas Bahamas. Em 1972, duas tripulações do Jangadeiros conquistaram ótimos resultados no Campeonato do Hemisfério Ocidental realizado em Cartagena/Colômbia. O vencedor foi o norte-americano Agustin “Augie” Diaz com seu pai Gonzalo Diaz na proa. Marco Aurélio Paradeda com Mário Teixeira foram os segundos, seguidos por Waldemar Bier e Luiz Eduardo Paradeda. Marco Aurélio, é preciso que se diga, foi bicampeão brasileiro da classe e se credenciou, novamente, a participar de um Campeonato do Hemisfério, ano de 1976, na Nova Escócia/Canadá onde conquistou o título com Luiz Pejnovic na proa, ficando em terceiro, outra dupla do clube, Gastão Altmayer/Mário Teixeira. Muitos outros tiveram passagem nos campeonatos da Classe Snipe, entre eles Michael Weinschenck e Paulo Renato Paradeda. Em 1993, o clube foi sede, mais uma vez de um Campeonato Mundial da Classe Snipe e, mais recentemente, Alexandre “Xandi” Paradeda superou tudo o que já fora feito, vencendo nada menos que dez campeonatos brasileiros e um mundial, este em dezembro de 2001 em Punta Del Este/Uruguai.

Xandi Paradeda e Gabriel Kieling

A CLASSE PINGUIM

Os anos 60 foram de reinado também para a classe Pinguim. Já na época da fundação do Clube dos Filhotes, Leopoldo Geyer tentara introduzir essa classe em Porto Alegre, mandando construir quatro barcos, dois dos quais tocaram aos Filhotes. Contudo, eram barcos feitos apenas à semelhança de um Pinguim, mas fora das especificações técnicas e, portanto, sem competitividade. Nesse ano a vela do Jangadeiros atravessava um período de pouca renovação de iatistas. Os Filhotes do primeiro grupo estavam adultos e haviam passado para outras classes, faltava justamente outra leva que garantisse a continuidade. Então, o clube, que tinha Geraldo Tollens Linck como Comodoro, partiu para um financiamento de vinte Pinguins através da Sociedade dos Amigos da Vela/SAVEL. No final daquele ano os barcos estavam prontos e à espera de tripulações. Kurt Egon Keller, ex-Filhote e integrante da Diretoria do clube, passou a dedicar-se a reorganizar o departamento de vela jovem, providenciando a instalação de alojamentos onde os meninos poderiam passar os fins de semana participando de treinamentos, regatas e aulas de vela. Em janeiro de 1961 organizou uma série de regatas que apontou os representantes do Jangadeiros no primeiro campeonato brasileiro a ser realizado na Represa de Guarapiranga/SP, o qual foi vencido pelo velejador do Yacht Club Santo Amaro, Mário Buckup.

Um outro fato foi importante para o crescimento da classe Pinguim. Não só no Brasil, mas também no Uruguai e na Argentina, o barco se tornava bastante popular e era considerado o melhor para a iniciação de jovens velejadores. Com isso, em breve estabeleceu-se um proveitoso intercâmbio com os países vizinhos. Vários meninos, que mais tarde apareceram muito bem em competições nacionais e internacionais de outras classes, velejavam na classe Pinguim como José Adolfo e Marco Aurélio Paradeda, George Nehm, Hilton Piccolo, Victor Hugo Schneider, Pedro Luiz e Ladislau Szabo, entre outros. Em 1964, Marco Aurélio e José Adolfo Paradeda venceram o Mundial realizado no Iate Clube do Rio de Janeiro. Foi o primeiro dos muitos conquistados pelos velejadores do clube ao longo de mais de vinte anos de atividade da classe.

A Classe Pinguim
Delegação do Clube no Campeonato Mundial de Pinguim, no RJ

Em 1970 era intensa a participação do clube em regatas fora do Estado e a cada saída dos velejadores repetia-se a peregrinação dos dirigentes por fretes adequados ao transporte dos barcos. Era um problema crônico e o vice-comodoro Esportivo, Kurt Egon Keller, pleiteou e obteve o aval do vice-comodoro Administrativo, Enio Moura do Valle, para a encomenda de uma jamanta junto à empresa Randon S.A. de Caxias do Sul. Era um trailer dotado de freio e luzes de sinalização para ser rebocado por caminhão. Que o clube também não tinha.

A primeira viagem da jamanta, em 1971, foi a Buenos Aires, levando Pinguins para um campeonato sul americano, graças à colaboração de uma empresa que cedeu um Dodge 400 para tracionar o trailer. Ao todo, viajaram doze barcos, sendo seis do Jangadeiros e seis do Yacht Club Santo Amaro, que acabavam de disputar o XIII Brasileiro realizado no clube. Esse campeonato foi vencido pela dupla da casa, José Adolfo “Careca” Paradeda e Walter Fayet Hunsche, o popular “Barra Limpa”. A entrega de prêmios aconteceu na noite de 28 de fevereiro e no dia seguinte, 1º de março, ainda de madrugada, o Clube dos Jangadeiros foi surpreendido com uma notícia chocante: o “Barra Limpa”, 19 anos, falecera em um acidente de carro.

Ainda em 1971, o ex-comodoro Edgar Siegmann levou ao conhecimento da Diretoria que o associado Werner Hunsche e sua esposa Alicie Fayet Hunsche haviam decidido doar ao clube uma escola de vela em memória do filho Walter, em prédio que seria especialmente construído na Ilha dos Jangadeiros, a qual já se encontrava num estágio de implantação bem avançado. O arquiteto Jorge Ruhl seria o autor do projeto e o clube destinou à futura escola uma área de 400m2 na face sul da ilha, próxima à rampa de acesso à baía interna.

Voltando à classe Pinguim, o final da década de 1970 testemunhou seu declínio entre os jovens, com o surgimento de barcos mais modernos e velozes, como o Laser e o Optimist, este destinado à iniciação de crianças e adolescentes na vela.

A CLASSE 470

No ano de 1974 outros barcos foram chegando e deram muitas alegrias aos velejadores do Clube dos Jangadeiros: os 470 e os Hobie Cats 14 e 16. Nelson Piccolo aderiu ao Hobie Cat e, praticamente, foi o seu introdutor. No final daquele ano o clube já promovia o primeiro campeonato brasileiro dessa classe, vencido por Piccolo, que virou figurinha carimbada, acumulando uma série de títulos graças aos quais velejou pelos mares do mundo.

Chegaram, também, os 470 – oito barcos importados do estaleiro espanhol, Roga. Marco Aurélio Paradeda, que já havia experimentado o barco no Europa, era o mais entusiasmado com a introdução dessa classe olímpica no clube. Em dezembro, por ocasião da Semana Internacional de Vela, comemorativa aos 40 anos do Veleiros do Sul, com a participação de iatistas europeus e norte-americanos, o Jangadeiros estreou na classe 470 através das duplas formadas por Nils Ostergren/Luiz Pejnovic e Ladislau Szabo/Pedro Luiz Szabo, bem como participou do primeiro campeonato brasileiro com outras duas tripulações, Marco Aurélio Paradeda/Luiz Alberto Aydos e Luiz Eduardo Paradeda/Ralph Johnstone.

No 470, Marco Aurélio, primeiro com Luiz Alberto Aydos e depois com Rolf Peter Nehm na proa, venceu vários campeonatos brasileiros e foi o representante brasileiro nos Jogos Olímpicos em Kingston/Canadá (1976) com Luiz Alberto, e em Los Angeles/EUA (1980) com Peter.

Em fevereiro de 1980 coube ao Clube dos Jangadeiros a organização de mais um campeonato mundial, agora da classe olímpica 470. Compareceram velejadores de dezesseis países, mas, sendo permitida a participação de várias tripulações por país, o número de inscritos chegou a quarenta e cinco. A Argentina e a França compareceram com as maiores delegações, com seis barcos cada, assim como o Brasil. Entre os brasileiros, timoneiros de peso como Mário Buckup, Marcos Soares, Luis Lebreiro, Marco Aurélio Paradeda, José Luis Ribeiro e Victor Hugo Schneider.

Como já acontecera em 1959, no Mundial de Snipe, o clube proporcionava facilidades aos competidores estrangeiros, que desta vez estavam trazendo barcos próprios: o transporte até Porto Alegre era gratuito desde o momento em que chegassem ao Brasil. Fosse no Rio de Janeiro, ou em Santos, ou em Rio Grande, o clube mandava buscar. Para ser distinguido com a honra de realizar um mundial de classe com organização internacional, como o 470, um clube situado no sul da América do Sul precisava oferecer facilidades fora do comum sob pena de não ter sua candidatura aprovada. Enquanto isso, na Europa, não raro realizavam-se campeonatos em beira de praia, às vezes sem qualquer apoio em terra, tais como restaurantes, lancherias ou mesmo sanitários.

Precedendo o Mundial, o clube realizou também o campeonato brasileiro, que foi vencido pelos cariocas Marcos Soares e Eduardo Penido. Entre os dez primeiros, figuraram três tripulações do Clube dos Jangadeiros, com Marco Aurélio Paradeda/Luiz Alberto Aydos em 2º lugar e mais José Luis Ribeiro/Marcos Oppliger Pinto e Victor Hugo Schneider/Cícero Hartmann.

Havia favoritos ao título de campeão mundial de 1980; David Ullman, o norte-americano que já vencera o mundial por duas vezes, o francês Laurent Délage e o japonês Kaio Mifune. Ao final do campeonato, o norte-americano confirmou seu favoritismo, vencendo a série de seis regatas. Se, individualmente, brilharam os norte-americanos, os franceses, sem dúvida, eram a melhor equipe, com ótimos velejadores e um técnico de alto nível, o conhecido iatista Marc Laurent. Ao se despedir, ele deixou uma mensagem que resumia o que tinha sido, a seu ver, o Mundial no Jangadeiros: “Sentimo-nos muito à vontade aqui, a raia é tão boa como outras em que competimos anteriormente, com bom índice de ventos, muito interessante quanto ao plano estratégico, percursos longos e bem colocados, linhas de percursos corretamente orientadas, aplicação sistemática da regra dos cinco minutos, uma equipe muito devotada a resolver os problemas de cada um, uma organização que soube criar e conservar um ambiente aprazível. São tantos os pontos positivos que nos farão conservar deste Campeonato do Mundo de 1980 uma lembrança muito agradável”.

Em agosto de 1983, aconteceu mais uma excelente participação internacional de velejadores do clube. A dupla formada por José Luis Ribeiro e Paulo Roberto Ribeiro foi medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos em Puerto La Cruz/Venezuela, uma belíssima conquista, e nos anos seguintes, outra tripulação formada por Victor Hugo Schneider/Cícero Hartmann venceu três campeonatos brasileiros e dois sul americanos. E houve ainda mais uma bela conquista de título com a dupla Alexandre Dias Paradeda e Caio Vergo, vencedora do Campeonato Sul Americano de 1991 em Buenos Aires.

Outro destaque da classe 470 do Jangadeiros é a timoneira Fernanda Oliveira, que começou a velejar muito cedo na classe Optimist como aluna da Escola de Vela Barra Limpa. Transferida mais tarde para o 470, Fernanda vem cumprindo uma trajetória brilhante no esporte, sendo a representante brasileira na classe em nada menos do que cinco Jogos Olímpicos. Em Pequim, com a proeira Isabel Swan, conquistou a Medalha de Bronze. Atualmente forma dupla com Ana Barbachan e se prepara para sua sexta Olimpíada neste ano de 2021, em Tóquio.

Fernanda Oliveira e Ana Barbachan. Foto de Claudio Bergman

CLASSE OPTIMIST

Em 1980 já havia um grupo de pequenos velejadores muito ativos na Flotilha da Jangada, todos eles ex-alunos da Escola de Vela Barra Limpa. A meninada começava a despontar em competições interestaduais e nacionais; o jovem iatista Luís Fernando Blos conquistou vaga na Equipe Oficial Brasileira que disputou o Campeonato Mundial de 1980, em Cascais/Portugal, o mesmo acontecendo no ano seguinte, quando participou do Mundial em Dublin/Irlanda. Em 1984, foi Roberto Milano Guaragna que esteve no Mundial realizado pelo Iate Clube do Rio de Janeiro. E, em 1986, Rafael Paradeda e Gustavo Oderich integraram a equipe que participou do Mundial em Rosas/Espanha.
Em janeiro de 1988, Alexandre Dias Paradeda trouxe para o Jangadeiros, pela primeira vez, o título de campeão brasileiro, conquistado no Rio de Janeiro e, no ano seguinte, seu irmão Ricardo repetiu o feito no campeonato realizado em Porto Alegre, com Dennis B. Koch, então companheiro de clube, em segundo lugar. Os dois, mais Newton Martins Rocha Jr., também conquistaram vaga na equipe oficial que foi ao Mundial daquele ano e, na década de 1990, Frederico Plass Rizzo também teve participações importantes, participando de um Mundial na Dinamarca. Na categoria Feminino, Martha Oyara Rocha, irmã de Newton, era uma velejadora fora do comum, vencendo consecutivamente três campeonatos brasileiros e dois sul-americanos. Ficava assim evidenciado o excelente preparo da vela jovem do clube.
Todas essas classes – dos Sharpies até os Optimists – contribuíram significativamente para que o Jangadeiros atingisse o estágio atual e se alinhasse entre os grandes clubes de vela do Brasil. O reconhecido prestígio de seus velejadores está hoje configurado nas pedras e tijolos, nos jardins e ancoradouros que fazem a beleza da ilha do Clube. As inúmeras vitórias da vela do Jangadeiros foram a mais importante credencial para a obtenção da colaboração de entidades governamentais e privadas na grande construção que hoje é orgulho de todos os associados. Pois de que é feita a imagem de um clube esportivo se não do sucesso de seus atletas e do empenho de seus dirigentes?
Tudo isso aconteceu na história do Jangadeiros. E mais será narrado no capítulo seguinte, dedicado à construção da “Ilha dos Jangadeiros” com texto de Geraldo Tollens Linck, conforme foi publicado no livro editado por ocasião do Cinquentenário do Clube, em dezembro de 1991. Segundo Leopoldo Geyer, Geraldo foi o “homem do carrinho de mão” dessa obra que teve a duração de quatorze anos.

Regata de Optimist – Foto de William Dias Camejo

UMA ILHA NO RIO – O COMEÇO

Geraldo Tollens Linck

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